Ditadura

UFRJ homenageia Stuart Angel com diploma póstumo e reafirma compromisso com a memória


A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu nesta terça-feira (7) o diploma póstumo de bacharel em Ciências Econômicas a Stuart Edgar Angel Jones, estudante do Instituto de Economia morto durante a ditadura militar. A cerimônia, realizada no Salão Dourado do Palácio Universitário, foi marcada pela emoção de Hildegard Angel, irmã de Stuart, que recebeu o diploma em seu nome. “Não sei se eu choro de emoção ou se grito de felicidade”, afirmou. O ato contou ainda com a presença da deputada estadual Dani Balbi (PCdoB), do ex-ministro Franklin Martins, de familiares, representantes do movimento estudantil, professores e dirigentes da universidade.

A solenidade marcou o início de uma série de homenagens promovidas pela UFRJ a estudantes mortos e desaparecidos durante o regime militar. Stuart é o primeiro de 26 estudantes identificados pela Comissão de Memória e Verdade da universidade que receberão diplomação póstuma em uma cerimônia coletiva prevista para setembro, quando a instituição completará 106 anos. Ao receber o diploma, Hildegard relembrou a luta de sua mãe, Zuzu Angel, para denunciar o desaparecimento e o assassinato do filho e celebrou o reconhecimento como uma conquista coletiva em defesa da memória e da democracia.

Ao presidir a cerimônia, o reitor Roberto Medronho destacou que a diplomação possui um profundo significado histórico, acadêmico e democrático. Segundo ele, embora o diploma não repare a dor da família nem devolva a juventude interrompida de Stuart, reafirma seu pertencimento permanente à universidade e preserva sua trajetória na história da instituição. Também presente ao evento, o ex-presidente do Diretório Central dos Estudantes da então Universidade do Brasil, Carlos Alberto Muniz, classificou a homenagem como uma vitória construída ao longo de décadas e um tributo a uma geração que resistiu à ditadura.

Reparação histórica

Stuart Angel Jones tinha 25 anos quando sua trajetória foi interrompida pela ditadura militar. Estudante de Ciências Econômicas da UFRJ e militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), foi sequestrado, torturado e morto por agentes do regime militar em 1971. Seu corpo jamais foi localizado.

Em 2019, o Estado brasileiro retificou seu atestado de óbito, passando a registrar oficialmente que sua morte foi violenta e causada pelo Estado, no contexto da perseguição sistemática a opositores da ditadura militar instaurada em 1964.

Filho da estilista Zuzu Angel, Stuart teve seu desaparecimento amplamente denunciado pela mãe, que dedicou anos de sua vida à busca pelo filho e à denúncia das violações de direitos humanos praticadas durante o regime militar. Zuzu morreu em 1976, em um acidente de carro cuja versão oficial foi posteriormente contestada. A Comissão Nacional da Verdade concluiu que sua morte foi resultado de ação de agentes da ditadura militar. Ela morreu sem conseguir localizar o corpo do filho.

A preservação de sua memória foi mantida ao longo das décadas por familiares, especialmente por sua irmã. A solicitação da diplomação póstuma foi apresentada conjuntamente por Hildegard Angel e pelo Centro Acadêmico Stuart Angel, do Instituto de Economia da UFRJ, iniciativa que deu origem à cerimônia realizada na terça-feira (7/7).

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