LATINAMENTE INDEPENDENTE
Nosso Norte é o Sul em Remanifesto
Desperta, América latina!
Pelas tuas veias abertas, organizamos o movimento.
Pela flecha de Oxóssi nos guiamos, caçadores.
/AI, SE/ te pego… porque nós não seremos mais a caça nem o quintal de ninguém.
Levante, hemisfério rebelde!
Erga nossa bandeira e plante nossa raiz no topo do mundo.
Vire ao contrário o mapa americano, pero sem perder a ternura.
Desnorteie, América invertida!
A partir de agora, o Sul é o Norte.
O poder do Norte Global está sob nova direção. Sulear.
Viva a Revolução Latino-Americana Independente de Padre Miguel!
Após eras sobrevivendo a reis, torres, cavalos e bispos, comamo-los.
Assim como os Caetés fizeram com Dom Sardinha, saciamos nossa fome com os nossos invasores, catequistas, escravizadores e interventores.
Retomamos o que nos foi tirado:
Nossa memória levada para museus, nosso ouro extraído para ornar palácios,
igrejas e coroas, nossa história apagada para nos manipular, nossa soberania
atacada para nos dominar…
Ó, Tecô-munhangaua!
Evocamos Jurupari, o civilizador Tupi, para restaurar a ordem e o mando justo.
Sem mais homenagens e monumentos a quem nos causaram tanta dor.
Retupinizar em honra e gloria a nossos heróis vencidos pelo poder branco.
Para que nossas riquezas não mais alimentem nossa pobreza.
Restabelecer a cosmovisão das civilizações originárias.
Pachamama nos ensina:
Somos frutos da natureza e do universo unidos por Quetzalcóatl.
O que se planta, cresce e floresce no matriarcado de Pindorama.
As maravilhas da Mãe Terra são patrimônio, não apenas recurso ou mera mercadoria.
São parte viva e sagrada da existência.
O tesouro da nação Independente.
Entendemos que a verdadeira evolução está conectada às raízes.
Olhar para trás antes de olhar para frente é preciso.
Nossa visão de futuro caminha com os passos de quem veio antes de nós.
Somente a inteligência amefricana, centrada na experiência dos povos indígenas e africanos, salva.
Com os pés aterrados na floresta, vos dizemos: kosi ewé, kosi amanhã.
REconhecemos a vanguarda dos saberes milenares no quilombo tecnológico forjado por Ogum, HiTech ancestral.
Mostrando nossa identidade, avançamos.
A latinidade é capital.
O jeitinho latino-americano vende pra Iô Iô, vende pra Iá Iá.
Pois nós temos muito mais que bananas. Temos o molho.
Dominamos a gambiarra, o maior contra-ataque criativo desde a pedra lascada.
Nosso estilo de vida não tem preço, tem valor.
Nos sentimos melhor coloridos para enfrentar os tempos de cólera.
Festejamos porque a alegria é a força latina de resistência popular.
Celebramos, apesar da dor… E também por causa dela. Desobedientes.
Nosso sorriso insurgente combate a opressão, não reconhece domínio.
Somos um povo que teima em se manter de pé, vivo. Contente.
À folia, América-Latina independente!
Comemore!
Desfile seu orgulho para que nossas lágrimas sejam somente de felicidade.
Que nosso suor seja resultado de conquistas.
Daqui para frente e para sempre.
Independentemente…
Perdoe, mas não esqueça.
¡Dale!
Jack Vasconcelos
Carnavalesco
Em Rio de Janeiro, Ano 534 da Ocupação.
EXPERIÊNCIAS INICIAIS
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Fonte: Carnavalesco.
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