Barricada Zero: tráfico recebeu detalhes de operações antes do anúncio feito pelo governo
Cinco dias antes de o governo do Rio anunciar oficialmente o programa Barricada Zero, traficantes da Cidade de Deus já discutiam detalhes das futuras operações policiais em um grupo de WhatsApp. Mensagens e áudios obtidos pelo Extra mostram que um homem apontado como policial militar do 18º BPM antecipou informações estratégicas sobre retirada de barricadas, cronograma das ações e movimentação de equipes, permitindo que criminosos se preparassem para a chegada das forças de segurança.
As conversas foram trocadas entre setembro e dezembro de 2025 no grupo “PAZ CDD”. O agente, chamado pelos criminosos de Bigode Mexicano, relatava informações recebidas de um superior identificado como “chefe”, conhecido nas mensagens como “Jacaré 18” e “Maioral 18 Novo”.
Operações e vazamentos
Em um dos áudios, enviado em 12 de novembro, o policial afirma que as ações iniciadas na Gardênia Azul seriam ampliadas para a Cidade de Deus e outras áreas, sem prazo para acabar.
“Esse bagulho que está tendo hoje no Gardênia, de tirar barricada, vai se estender sem tempo definido para acabar”, disse.
O Barricada Zero só seria lançado oficialmente em 17 de novembro pelo governo estadual como força-tarefa para remover barricadas instaladas pelo tráfico. No mesmo dia do anúncio, Bigode informou ao grupo quando as máquinas chegariam ao batalhão e avisou que a operação começaria na Cidade de Deus em 24 de novembro.
O PM também orientou os traficantes a não recolocarem barricadas para evitar novas ações policiais. “As que forem retiradas, não é para colocar, porque vai dar merda”, escreveu.
Criminosos esconderam armas e drogas
Na véspera da operação, o grupo monitorou a chegada de retroescavadeiras e caminhões ao 18º BPM. Durante a madrugada, traficantes esconderam drogas, armas e dinheiro e desmontaram pontos de venda para reduzir prejuízos.
As mensagens ainda mostram que criminosos acompanharam em tempo real a saída de blindados e equipes policiais da unidade. Após a operação, integrantes da facção voltaram a circular armados pela comunidade, irritando o suposto superior de Bigode Mexicano.
Em nota, a Polícia Militar informou que a Corregedoria abriu investigação para apurar o caso e afirmou que “não tolera nem compactua com desvios de conduta entre seus membros”.
Fonte: Agenda do Poder.
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