GRES Delírio da Zona Oeste

GRES Delírio da Zona Oeste — Foto: Wikimedia Commons (CC BY 3.0) — Rgb union

Legado olímpico

Rio eterniza legado olímpico com mural e esculturas no Parque Oeste


A Prefeitura do Rio encerrou neste domingo (09/08) as comemorações dos dez anos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 com a eternização das mãos de atletas em um mural, que será instalado próximo à piscina do Parque Oeste Ana Gonzaga, em Inhoaíba, na Zona Oeste. Também foram inauguradas duas esculturas alusivas ao evento, que ficarão permanentemente no local.

O equipamento aquático é emblemático: foi utilizado nas competições realizadas no Parque Olímpico da Barra e marcou as despedidas dos multicampeões paralímpico e olímpico, o brasileiro Clodoaldo Silva e o americano Michael Phelps, respectivamente.

‘O legado olímpico não era algo que a gente ia guardar no armário, arquivar e deixar ali, como se fosse um documento. Isso não é legado. O legado não é para guardar. O legado é para viver! É por isso que as pessoas vivem o legado olímpico da Rio 2016 nesses dez anos. É por isso que a gente está só começando esse capítulo da cidade, dez anos depois do legado olímpico, olhando para frente’, afirmou o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere.

Ao enumerar legados deixados pelos Jogos, Cavaliere lembrou a construção de mais de 180 quilômetros de BRTs e o renascimento da Zona Portuária, que até 2030 receberá cerca de 30 mil novos moradores. Ele destacou também a arquitetura nômade adotada no evento, quando uma instalação é erguida temporariamente para depois ser desmontada e ter seu legado maximizado ao ser reaproveitada.

‘Temos orgulho de dizer que a arquitetura é nômade. Transformamos a Arena do Futuro (local das disputas do handebol e goalball nos Jogos) em quatro escolas públicas. A maior escola hoje, entre as 1.600 escolas do município, é o Ginásio Educacional Olímpico Isabel Salgado. Foi a primeira vez que uma Arena Olímpica virou uma escola. O IBC, que era o Centro de Mídia dos Jogos, agora é o Terminal de Gentileza, onde circulam mais de 100 mil pessoas por dia’, ressaltou.

No balanço, Cavaliere citou o Parque Radical como outro exemplo bem-sucedido e destacou a instalação da piscina olímpica na Zona Oeste, uma das mais carentes da cidade, o que aumenta exponencialmente o efeito positivo dos benefícios dos Jogos para a população.

‘Os atletas de canoagem se preparam, a Confederação de Canoagem usa e a população utiliza o Parque Radical, além de milhares de pessoas todos os dias com acesso a atividades gratuitas oferecidas pela prefeitura. Dentro do Parque Oeste, são 260 mil metros quadrados de área pública de qualidade, de excelência, para a população. Dentro desse parque público está a piscina original da Rio 2016. A piscina em que Michael Phelps, recordista de medalhas, nadou, que o Clodoaldo Silva, outro recordista, nadou e que tantos atletas nadaram. É uma piscina oficial! São 2.100 alunos e alunas que usam essa piscina todos os dias. Tenho certeza de que daqui, do legado olímpico, no Parque Oeste, vai nascer o futuro campeão olímpico da nossa cidade e do nosso país’, festejou.

Acompanhado pelos nadadores Clodoaldo Silva e Bruno Fratus e pela nadadora Ana Marcela Cunha, além de outros atletas, o prefeito fez o molde das mãos que ficarão expostas no mural. Após o ato, os atletas participaram de uma prova de exibição e recordaram momentos vividos na mesma piscina em 2016.

‘Fico feliz porque o legado é ótimo, mas o legado para a comunidade é o mais importante. Aqui, no Parque Oeste, os moradores e as crianças, que sonham em ser um nadador profissional, vão poder ter à disposição uma piscina profissional’, afirmou Clodoaldo, medalhista paralímpico na Rio 2016 na mesma piscina.

Atleta do Time Rio, Ana Marcela Cunha, campeã olímpica da maratona aquática, também falou sobre o legado. Ela, que no fim do mês acrescentou às suas conquistas ter realizado a travessia do Canal da Mancha, 42,9 km entre a França e a Inglaterra, frisou os benefícios do esporte.

‘Sabemos que o Rio de Janeiro é grande, onde tem muitos atletas e pessoas que, às vezes, precisam do esporte como qualidade de vida. As crianças, por exemplo, de uma certa forma, ficam longe das ruas e do mau caminho. Acho fundamental para a disciplina, a educação. O objetivo não é só formar campeões, mas formar seres humanos melhores’, salientou.

Medalhista de bronze nos Jogos de Tóquio 2020, Bruno Fratus frisou que são equipamentos populares como este que podem revelar grandes talentos. Ele, que competiu na Rio 2016, elogiou a estrutura da piscina do Parque Oeste.

‘A palavra-chave é legado! Fui a três Jogos Olímpicos e competia em piscinas exatamente iguais a essa. Então, a estrutura é da melhor qualidade possível que existe no mundo inteiro. E é uma estrutura assim que tem potencial para revelar grandes nomes do esporte’, afirmou.

Nos Jogos de 2016, o Estádio Aquático Olímpico, erguido no Parque Olímpico, recebeu as disputas de natação e também foi projetado dentro do conceito de arquitetura nômade. Para aumentar os benefícios de seu legado, optou-se por instalar sua piscina no Parque Oeste.

O Parque Oeste ocupa uma área total de 260 mil metros quadrados na Avenida Cesário de Melo. Foi inaugurado em setembro de 2024 e já recebeu equipamentos como a Escada das Águas Roberto Burle Marx, a Nave do Conhecimento, um skatepark, um campo de futebol society, um espaço ecumênico e um mirante.

A piscina olímpica tem medidas oficiais de competição, com 50 metros de comprimento, e segue os padrões internacionais utilizados em grandes eventos esportivos. Atualmente, mais de duas mil pessoas participam gratuitamente das aulas de natação e hidroginástica no local.

‘Sou muito grata por ter tido a oportunidade de competir em casa e contar com o apoio fervoroso da torcida brasileira. O legado dos Jogos é evidente. O Rio de Janeiro apresentou uma evolução significativa, tanto para a população quanto para nós, atletas. Utilizo a Vila Olímpica do Mato Alto como base de treinamento. É uma honra celebrar este marco de uma década e constatar que as estruturas permanecem ativas, fomentando a prática esportiva entre os cidadãos’, disse a atleta Marivana Nóbrega, que conquistou a medalha de bronze no atletismo na Rio 2016.

Moradora de Campo Grande, Nina Lima, de 43 anos, contou que a filha, a triatleta Lara Lima, de 14 anos, utiliza a estrutura do Parque Oeste para treinar. Atleta do Fluminense e da Vila Olímpica de Pedra de Guaratiba, Lara teve sua rotina melhorada com a piscina instalada no local.

‘A Lara é atleta do Fluminense e representa a Vila Olímpica Doutor Sócrates, em Pedra de Guaratiba. Para nós, este local representa um verdadeiro legado. É um privilégio contar com um espaço tão estruturado, que carrega uma história relevante e que inspira atletas pelos quais a Lara tem grande admiração. Ela participou da cerimônia de inauguração e é gratificante retornar hoje para treinar ao lado de outros grandes atletas. A rotina dela inclui natação três vezes por semana. Nos outros dias, dedica-se ao ciclismo e à corrida, utilizando também o Parque Radical de Deodoro, que é um ambiente adequado para competições’, contou.

A festividade no Parque Olímpico foi o terceiro ato da prefeitura para celebrar os Jogos 2016. Na quarta-feira (05/08), data que marcou os dez anos da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio, foi inaugurada a exposição ‘O Amanhã Olímpico: Legado e Futuro’, no Museu do Amanhã. E, no sábado (08/08), foi realizada uma clínica para alunos das Vilas Olímpicas no Parque Olímpico, além da inauguração de duas esculturas no local.

A mostra no Museu do Amanhã revive a trajetória do Rio na organização e realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2016 e convida o público a refletir sobre o legado construído e qual ainda será erguido.

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