O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), admitiu pela primeira vez de forma explícita que será candidato ao governo do estado em 2026. A declaração ocorreu no sábado (18/1) durante visita a Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense.
Em tom descontraído, Paes interrompeu o discurso do prefeito local, Paulinho da Refrigeração (MDB), que justificava a presença do colega como parte de um ‘trabalho de visitar as cidades do interior’. Paes rebateu: ‘É mentira, não estou fazendo trabalho de visitar cidades do interior. Eu estou fazendo pré-campanha, porque quero os votos para governador e quero o apoio do Paulinho. Pronto, falei’, disse, conforme vídeo divulgado pelo perfil ‘nabocadopovorj’ nas redes sociais.
Para ser candidato, Paes precisa renunciar à prefeitura até o início de abril. Em sua passagem pelo Norte e Noroeste fluminense no final da semana passada, ele visitou cinco municípios e participou de encontros com autoridades e empresários. O prefeito busca ampliar apoios em regiões com maior fragilidade eleitoral, como a Baixada Fluminense e o interior.
Embora já se movimentasse há meses para construir alianças, Paes até então não havia declarado abertamente a candidatura. Em agosto passado, durante reunião do Conselho da Cidade, ele já havia deixado o plano subentendido ao dizer que seu vice, Eduardo Cavaliere (PSD), se tornaria o ‘prefeito mais jovem’ da cidade, mencionando que Cavaliere assumiria ‘aos 30, 31 anos de idade’ — ele já atingiu 31 em setembro.
Segundo o GLOBO, a prefeitura do Rio foi procurada, mas não respondeu.
Paes concorreu ao governo duas vezes: em 2006 e 2018. Na última, foi derrotado no segundo turno pelo bolsonarista Wilson Witzel, que surpreendeu com uma arrancada nas pesquisas na reta final. Para evitar novas surpresas, Paes tem feito acenos a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado, o que gerou ruídos com o PT, partido do presidente Lula.
Em encontro recente com Lula, Paes avisou que deixará a prefeitura em 20 de março para disputar o Palácio Guanabara. Também se comprometeu a apoiar a deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado, recuando nas pretensões de seu grupo, que tentava montar chapa sem abrir espaço para petistas.
Além do atrito pela indicação de nomes, o PT vinha incomodado com declarações elogiosas de Paes ao pastor Silas Malafaia, aliado de Bolsonaro, e com uma fala em evento na Baixada Fluminense em que sinalizou caminhar ao lado do deputado federal Altineu Côrtes (PL), correligionário de Bolsonaro e do governador Cláudio Castro (PL).
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