Roda Cultural da ZN RJ conquista o 1º lugar do Rio em prêmio nacional
Transporte e Mobilidade

Roda Cultural da ZN RJ conquista o 1º lugar do Rio em prêmio nacional


O Hip-Hop carioca fez história em São Paulo. A Casa Portugal foi o palco da entrega do Prêmio Nacional Vozes Periféricas, uma iniciativa do Governo Federal que reuniu 100 dos maiores coletivos periféricos do Brasil.

Entre tantas potências nacionais, a Roda Cultural da ZN RJ, cria do Complexo do Alemão, cravou seu nome no topo: o projeto conquistou o 1º lugar do Estado do Rio de Janeiro (e a 16ª posição no ranking geral do país).

A iniciativa, promovida pela Secretaria-Geral da Presidência da República, Secretaria Nacional de Juventude e Secretaria Nacional de Diálogos Sociais, em parceria com a OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos), mapeou e reuniu as 100 maiores potências de cultura de rua, saraus, slams e batalhas de rima de todo o território brasileiro.

“Só sei sentir”: A emoção de quem carrega a cultura na raça

Para Flávia Costa, cofundadora e a mente por trás da identidade que reformulou o projeto, a ficha da conquista nacional ainda está caindo. Ela representou o coletivo na cerimônia em São Paulo ao lado da produtora, filmaker e fotógrafa Vitória Gaia, uma escolha que simboliza o propósito de formação e valorização profissional do projeto.

“A ficha não caiu. Foi uma premiação enorme, um investimento real do governo com saraus e rodas culturais.

Ver a Roda ir para São Paulo e ser reconhecida é gratificante sem explicação. O projeto deu a oportunidade para uma das participantes viajar de avião, ir para outro estado representar o que ela faz parte.

Se eu pudesse, teria levado a equipe inteira, todas as meninas, os DJs…”, desabafa Flávia.

Para a liderança da Roda, o prêmio é o reflexo de um pacto coletivo que começou muito antes da viagem, logo no momento da inscrição. “Quando joguei a premiação no grupo, as meninas vibraram.

Eu sabia que não faria aquele edital sozinha”, confessa Flávia. Sabendo o peso de cada braço nesse processo, ela dedica a conquista à sua linha de frente: “Essa premiação é dedicada a todas as mulheres da Roda que pararam o tempo delas para escrever o projeto junto comigo.

É lindo demais”.

Uma potência do Hip-Hop liderada por mulheres

Desde 2017, a Roda Cultural da ZN RJ atua abrindo caminhos para MCs, DJs, beatmakers e produtores das favelas cariocas. O grande diferencial do coletivo, que pulsa no coração do Complexo do Alemão, é sua estrutura de liderança: uma equipe formada majoritariamente por mulheres fortes na linha de frente.

A banca atual é composta por Flávia, Iasmyn Nobrega , Lis Mc (que somou por quatro anos na caminhada), Vitória, Letícia Gonçalvez, Bia Grunge e Jess, trabalhando lado a lado com os comandantes das picapes, os DJs Rps, Swag do Complexo e DJ Pirigo.

Flávia Costa assumiu o projeto em 2018 com a missão de fazer a diferença e profissionalizar a cena. Foi ela quem mudou o nome para Roda Cultural da ZN RJ, redesenhou a identidade visual, trouxe a ideologia que o grupo carrega hoje e transformou o espaço em uma encruzilhada de oportunidades.

Além disso, os valores do coletivo prezam pela construção de um território seguro, acolhedor e inclusivo. A Roda é reconhecida institucionalmente por impulsionar e dar centralidade à cultura preta e à comunidade LGBTQIAPN+, operando através de uma grade de atividades que mistura batalhas de rima, shows, saraus de poesia e sessões de Grime da Fac.

Essa força de articulação já havia rendido homenagens oficiais na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em parceria com o Fórum Nacional de Mulheres do Hip-Hop, além de coberturas de impacto em veículos como o jornal O Dia, a agência Voz das Comunidades e a organização Koinonia. O ápice técnico e de público ocorreu em dezembro de 2025, quando a Roda promoveu uma edição histórica com a presença do rapper Sant, um dos maiores nomes do cenário nacional.

O Futuro nos Bastidores

Atualmente, os encontros presenciais na praça do Alemão estão temporariamente pausados, mas a liderança garante que a conquista nacional é o combustível ideal para o retorno. O foco total da equipe agora migrou para a gestão de editais, articulação de redes e o fortalecimento burocrático do projeto.

“Essa premiação vai dar um up na Roda de novo. A gente está parado com os encontros, mas estamos movimentando intensamente as redes sociais, movimentando o CNPJ e os editais.

Até o final do ano tem muita coisa para a gente conseguir vencer ainda”, projeta Flávia Costa, que planeja inclusive oficializar uma data de aniversário definitiva para celebrar formalmente a vitória do coletivo.

O prêmio conquistado no Vozes Periféricas não pertence apenas à equipe; ele coroa cada morador, artista e apoiador que acreditou no projeto desde 2017. A Roda Cultural da ZN RJ provou que a favela não é apenas um lugar de passagem, mas o epicentro da criação cultural e da excelência do Rio de Janeiro.

Fonte: Vozdascomunidades.

Comentários

Carregando comentários...

Deixe seu comentário (Aberto)