Jogo do Brasil na Copa gera ‘efeito torcida’ na rede elétrica do Rio e liga alerta para risco de apagões
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Jogo do Brasil na Copa gera ‘efeito torcida’ na rede elétrica do Rio e liga alerta para risco de apagões


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O jogo da Seleção Brasileira nesta segunda-feira (29/06), contra o Japão, pela Copa do Mundo, deve provocar um fenômeno conhecido no setor elétrico como “efeito torcida” com forte impacto no Rio de Janeiro. Minutos antes do apito inicial, o consumo de energia cai de forma repentina, enquanto logo após o fim da partida milhões de fluminenses ligam chuveiros, micro-ondas, televisores e outros equipamentos praticamente ao mesmo tempo, criando um pico instantâneo de demanda. Esse movimento exige respostas rápidas dos operadores do sistema para manter o equilíbrio da rede e evitar sobrecargas no estado. Segundo David Roland, diretor da Grid Tie Solar, o efeito é um retrato de um desafio que o estado enfrenta diariamente. “Hoje o estado convive com uma situação curiosa: em determinados horários sobra energia, principalmente solar, mas nos momentos de maior consumo ainda há grande pressão sobre a rede. Eventos como um jogo da Seleção apenas deixam esse desequilíbrio mais visível.” A popularização da energia solar no território fluminense fez crescer a geração durante o dia, enquanto o maior consumo continua acontecendo à noite. Esse descompasso tem levado o Operador Nacional do Sistema (ONS) a reduzir a geração em alguns momentos para preservar a estabilidade da rede que atende a capital e o interior. Para David Roland, o “efeito torcida” ajuda a ilustrar como o sistema elétrico precisa responder, em questão de minutos, a mudanças bruscas no comportamento dos consumidores no Rio. “É um fenômeno que acontece em poucas horas, mas representa um desafio permanente para o setor elétrico. A rede precisa estar preparada para oscilações rápidas sem comprometer a segurança do fornecimento.” Para acompanhar essas oscilações durante os jogos da seleção, a Itaipu ajusta a geração de energia em tempo real, em coordenação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O esquema especial começa cerca de duas horas antes de cada partida e segue até duas horas depois do apito final. O objetivo é manter o equilíbrio entre a energia gerada e a consumida, evitando sobrecargas no Sistema Interligado Nacional (SIN). Na estreia do Brasil contra Marrocos, por exemplo, o fornecimento de Itaipu ao país caiu 7% na hora que antecedeu o jogo. Ao fim da partida, a carga do sistema voltou a subir rapidamente: foram 4.307 megawatts recuperados em apenas 21 minutos, volume equivalente ao consumo médio de todo o Rio Grande do Sul. Na partida contra o Haiti, a resposta foi ainda mais intensa. Em cerca de 40 minutos antes do jogo, Itaipu reduziu em 17% o fornecimento de energia ao Brasil. Depois do apito final, elevou a geração em 7% em apenas 14 minutos para acompanhar a retomada do consumo Embora os jogos da Seleção sejam um dos exemplos mais conhecidos, situações semelhantes ocorrem em feriados, grandes eventos e outros momentos em que milhões de pessoas alteram seus hábitos de consumo simultaneamente, exigindo monitoramento constante dos operadores do sistema elétrico.

Fonte para revisão: Diário do Rio.

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