Denúncia de imagens sexualizadas geradas por IA provoca protesto em escola de Volta Redonda
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VOLTA REDONDA Dezenas de alunos, professoras e familiares participaram na manhã de segunda-feira, dia 29, de uma manifestação contra um estudante, de 17 anos, aluno do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), campus VR. Ele é suspeito de utilizar Inteligência Artificial (IA) para gerar imagens falsas sexualizadas de colegas e professoras da unidade escolar. Entre as vítimas estão alunas de 14 e 15 anos. O ato foi convocado pelo Grêmio Estudantil do Instituto Federal Volta Redonda e aconteceu antes de reunião marcada para discutir as denúncias sobre o caso. A informação dos denunciantes é de que o fato só foi descoberto após o aluno suspeito deixar o e-mail particular dele logado em um dos computadores do laboratório da escola. Ainda segundo os denunciantes, são mais de 500 imagens produzidas por IA que estão com ele. Os denunciantes informaram também que estão reivindicando que medidas sejam tomadas contra o aluno que teria gerado essas imagens das meninas da escola. Lembraram também que o objetivo é que as vítimas não fiquem desamparadas, nem por parte da escola e nem das autoridades. O diretor geral da instituição, André Seixas Novais, garante que já está apurando o caso e que, na última quinta-feira, foi informado pelos alunos de que outro estudante havia deixado o email aberto em uma máquina no laboratório, onde viram a fotos. “O quantitativo de imagens que recebemos é de 39 anexos e não 500. Pode ser que tenham mais. Vamos aguardar”, contou, lembrando que a escola já compareceu à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para apresentar esclarecimentos. Segundo ele, de acordo com os tramites da instituição em seu regulamento, quando aparece um caso como esse, é formada uma comissão disciplinar, que ouve inicialmente todas as partes envolvidas, dá atendimento psicólogo às vítimas e às famílias, como outras ações até que o caso seja solucionado. “Ninguém fica impune na escola”, falou. Além de pais, responsáveis e alunos, participou também o ato o vereador Raone Ferreira. Segundo ele, como presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, além de relator na Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente, já se colocou à disposição das vítimas e da escola para solucionar o caso. Lembrou que a manifestação foi uma aula de cidadania que os estudantes deram. Ainda segundo Raone, seu gabinete foi colocado à disposição e para começar, já ofereceu apoio jurídico às vítimas para que nada fique sem apurar. Disse que esse caso merece uma investigação séria e minuciosa para que a verdade seja esclarecida e a justiça feita no âmbito legal. Lembrou que, como presidente da Comissão de Direitos Humanos, para tomar qualquer atitude precisa ouvir primeiramente todos os envolvidos. “Temos que ouvir a escola, as vítimas além, do principal envolvido que causou a situação e sua família, já que trata-se de um menor”, informou o vereador, lembrando que mesmo estando lidando com adolescente, houve uma violação gravíssima de direitos humanos. CONSCIENTIZAR SOBRE O CASO Raone ressaltou que é preciso conscientizar sobre isso e esse ato dos alunos é realmente necessário, gigantesco. “Precisamos entender que são adolescentes nesse processo, mas que aconteceu um crime”, disse, lembrando que foi ao ato justamente para mediar a situação, acalmar os ânimos e procurar uma resolução para esse problema esperando que seja feita uma investigação pela polícia e de fato administrativo também. Quem também falou sobre a manifestação foi o presidente do Grêmio Estudantil do IFRJ, campus Volta Redonda, Gabriel Correa Lima. Disse que o objetivo principal é defender uma escola sem assédio, sem misoginia e sem qualquer outra forma de discriminação, como atuar sobre esse caso em específico. “A gente entende que é necessário que a gente corte qualquer tipo de mal dentro das instituições educacionais pela raiz e não apenas no sintoma”, falou o presidente, ressaltando que esse caso é como uma doença, tem que atuar nela como um todo, torcendo pra que esse caso seja julgado e apurado. “A gente entende que é muito necessário que esse aluno não permaneça no mesmo espaço em que essas meninas, que foram vítimas. É uma questão sócio-educativa”, completou. Eliza Ferrari, mãe de uma das alunas vítimas, contou que foi informada sobre o caso pela própria filha. Ela amentou pelo fato de a direção da escola não ter comunicado aos pais mesmo sabendo do que tinha acontecido. “Isso não pode acontecer. Ficamos sabendo de uma notícia grave dessas através dos alunos através das nossas filhas”, contou a mãe, ressaltando que elas ficaram muito assustadas e nervosas. Disse também que a informação é de que são cerca de 500 fotos com o aluno que a direção terá que apresentar na Deam, onde o caso foi registrado. Outra mãe de aluna vítima, Fernanda da Silva Pereira, também falou sobre o que aconteceu e que a filha dela teve a foto exposta. “Infelizmente esse estudante pegou as fotos das alunas de algum jeito e expos. O pior é que não sabemos como ele está sando essas fotos”, explicou a mãe, ressaltando que esse tipo de situação tem que ser investigada tanto pela direção da escola e pela polícia. Lembrou ainda que ele foi uma das que registrou o caso. Deam instaura procedimento policial para apurar a manipulação digital não autorizada de fotos A Delegacia de Atendimento à Mulher de Volta Redonda, por meio da delegada titular, Juliana Montes, informa que instaurou procedimento policial para apurar a manipulação digital não autorizada de imagens envolvendo alunas do IFRJ. Caso que foi registrado na unidade policial na última sexta-feira, dia 26. Segundo as investigações preliminares, um aluno da instituição teria utilizado um computador do laboratório de informática para alterar fotos de perfil do aplicativo WhatsApp de colegas, utilizando ferramentas de inteligência artificial para conferir teor sensual às imagens. O fato foi constatado após o jovem deixar o terminal conectado à sua conta, permitindo que outra estudante identificasse o material e fizesse a denúncia diretamente à direção do colégio. Ainda segundo esclarecimento da Deam-VR, até o momento, as investigações apontam que não houve manipulação de exposição de nudez das adolescentes e não foi identificado o compartilhamento ou a difusão das imagens entre os alunos. Todos os envolvidos no episódio são menores de idade. As vítimas já foram identificadas e encaminhadas ao Centro de Atendimento Integrado à Criança e ao Adolescente (CATI-CA) para a realização de escuta especializada. A delegacia agora aguarda a conclusão dos relatórios das oitivas, bem como a emissão dos laudos periciais. A Deam destaca também que, o fato foi capitulado inicialmente como ato infracional análogo aos crimes previstos no artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), simulação de participação de menores em cenas pornográficas, e no artigo 216-B do Código Penal — registro não autorizado da intimidade sexual. A polícia ressalta, contudo, que caso fique comprovado o compartilhamento dessas imagens manipuladas, outros crimes podem restar configurados, tais como violência psicológica contra a mulher, difamação e até mesmo os crimes de armazenamento e divulgação de material de pornografia infantil.
Fonte para revisão: Avozdacidade.
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