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No dia 18 de junho de 2026, Quintino Gomes Freire, diretor-executivo deste jornal, publicou a matéria “Motoristas com TAG terão acesso exclusivo à faixa reversível da Linha Amarela”, anunciando a mudança que a LAMSA irá implementar a partir do dia 29 de junho de 2026. A entrada na faixa reversível será feita apenas por veículos com TAG ativa, nas pistas automáticas de pedágio 11 e 12. Esta faixa no sentido Fundão foi implantada em setembro de 2007 para diminuir os congestionamentos. A nova iniciativa demanda muita vigilância para seu pleno funcionamento, o que não ocorre na via, com pouquíssima ou nenhuma fiscalização em sua extensão, principalmente para organizar o tráfego. A partir de 2016, considerando o aumento de fluxo viário na Linha Amarela, a Prefeitura implementou uma medida restringindo a circulação de caminhões no sentido Barra, considerando a retirada de uma faixa para implantação de uma pista reversível no sentido Fundão. Devido à redução drástica de circulação durante a pandemia, a restrição foi coerentemente suspensa, sem qualquer prejuízo para os motoristas, que pagam pedágio nos dois sentidos, com exceção das motocicletas. Em 2023, cessado o período mais crítico, muitas restrições foram retomadas, mas, em relação aos caminhões, inexplicavelmente a Prefeitura “esqueceu”, ainda que as placas indicativas permanecessem nos antigos locais. Da mesma forma, não se comentou mais sobre horários de carga e descarga, incluindo caminhões da Comlurb, que antes agiam com muito cuidado para evitar congestionamento, o que simplesmente deixou de ocorrer. Circulam em qualquer horário, param em qualquer lugar, inclusive para retirar aqueles enormes depósitos laranjas que distribuíram por toda a cidade. Alguns deles com dois faróis colocados na traseira, com luz muito forte e piscante, que ofusca os motoristas. Entrei em contato com a via, responderam que não havia nenhuma nova determinação da Prefeitura. Entrei em contato com a Prefeitura através do 1746, a resposta foi que não havia mais necessidade das antigas restrições. Curiosamente, as placas indicativas dos horários foram retiradas. Nos últimos meses, aumentou significativamente a circulação de caminhões ou carretas, alguns de seis eixos, carregando até mesmo tratores e grandes transformadores, entre 6h e 8h, deixando praticamente uma única faixa de circulação para os demais veículos no sentido Barra. Não satisfeitos com isso, não raramente promovem ultrapassagens lentas, praticamente parando a via no início da manhã, sem qualquer fiscalização. Mais uma vez, entrei em contato com a Prefeitura e com alguns veículos de comunicação, sem nenhuma resposta. Para completar o quadro caótico de uma via sem lei, veículos sem TAGs passam nas cabines automáticas, param, pagam aos atendentes na via e seguem viagem sem entrar nas longas filas. A administração da via alega que “o pagamento não implica no cancelamento da multa”. Tal episódio apresenta indícios de que pode se repetir, considerando-se a futura restrição. Motocicletas circulam “costurando” entre todas as faixas e acostamentos, com suas buzinas irritantes e ofuscantes faróis altos, que não dão passagem, mas exigem privilégios e respeito, sem a reciprocidade. Linhas municipais de ônibus arrastam-se pela via, não raramente enguiçando, atirando seus passageiros no acostamento. As intermunicipais, por sua vez, definiram que a faixa da esquerda é sua seletiva e ali transitam, sem dar passagem para veículos mais leves. Afinal, quem é responsável pela fiscalização da Linha Amarela? Tratar dos transportes não é pintar toda a frota de amarelo, recriar linhas que existiam e foram extintas pela conveniência dos proprietários das empresas ou suprimir a utilização do dinheiro nos coletivos, com um risinho para os passageiros. Muitos semáforos estão constantemente apagados, sem agentes de trânsito para assegurar o fluxo de veículos e pedestres. A desculpa de sempre é o furto de cabos. Se não é possível controlar uma via sem lei, muito conhecida, imaginemos como ficará a região da Praça Onze após a demolição do Viaduto 31 de Março, durante o período de obras. Já existe um plano de contingência para atender à demanda viária, ou teremos mais uma região sem lei como a Linha Amarela? As Cartas Chilenas, escritas no século XVIII, alertavam: Talvez, prezado amigo, que imagine Que neste monumento se conserve Eterna, a sua glória (…) Um soberbo edifício levantado Sobre ossos de inocentes, construído Com lágrimas dos pobres, nunca serve De glória ao seu autor, mas, sim, de opróbrio.
Fonte para revisão: Diário do Rio.
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