Importação de carros da China é criticada por Sindicato do Sul Fluminense
Transporte e Mobilidade

Importação de carros da China é criticada por Sindicato do Sul Fluminense


A decisão do Governo Federal de prorrogar por mais seis meses a isenção de impostos para a importação de veículos elétricos e híbridos desmontados e semimontados acendeu um sinal de alerta no Sul Fluminense, segundo maior polo automotivo do país. Anunciada no mesmo dia em que o navio BYD Changsha atracou no Porto de Itajaí (SC) transportando 7.

216 veículos eletrificados vindos da China, a prorrogação é vista por representantes da indústria e dos trabalhadores do Estado do Rio como uma ameaça à produção local, aos empregos e aos investimentos previstos para o setor.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Odair Mariano, a política adotada pelo Governo cria uma concorrência desigual entre as montadoras instaladas no Brasil e os veículos importados.

“Não somos contra a modernização da indústria nem contra a chegada de novas tecnologias. O que questionamos é a concorrência desigual.

Enquanto as montadoras instaladas no Brasil geram empregos, recolhem impostos e movimentam toda uma cadeia produtiva, vemos o governo abrir espaço para uma enxurrada de veículos importados com incentivos que prejudicam quem produz aqui”, afirmou Mariano.

Segundo o presidente do sindicato, os impactos da decisão podem ser sentidos diretamente na economia regional, fortemente dependente da indústria automotiva.

“A Região Sul do Estado do Rio depende fortemente da indústria automotiva. Quando um veículo deixa de ser produzido aqui para ser importado pronto ou semimontado, estamos falando de empregos que deixam de ser gerados, renda que deixa de circular no comércio local e oportunidades que desaparecem para milhares de famílias do Sul Fluminense”, declarou.

O polo automotivo da região reúne as fábricas da Stellantis (Citroen, Peugeot, Jeep), em Porto Real, e da Nissan e da Volkswagen Caminhões e Ônibus, em Resende, além de mais de 20 empresas fornecedoras e sistemistas. O setor responde por mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, com remuneração acima da média da indústria nacional.

Investimentos podem ser comprometidos

A decisão também preocupa por ocorrer em um momento de forte expansão da indústria automotiva brasileira. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as montadoras anunciaram R$ 140 bilhões em investimentos até 2033 para ampliar a produção de veículos eletrificados, desenvolver novas tecnologias, fortalecer centros de pesquisa e modernizar fábricas e fornecedores.

Uma das empresas diretamente envolvidas é a Stellantis, que recentemente abriu 600 novas vagas em sua unidade de Porto Real para produzir o Jeep Avenger. A montadora foi uma das quatro fabricantes — ao lado de Volkswagen, General Motors e Toyota — que enviaram carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo que a prorrogação da isenção não fosse concedida.

No documento, as empresas alertam que o incentivo às importações poderá resultar em “desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica”.

Em nota, a Anfavea classificou a decisão como contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais e da indústria de autopeças, argumentando que a ampliação dos benefícios reduz os incentivos para a instalação de novas linhas de produção no Brasil justamente quando os investimentos já foram anunciados.

Impactos nacionais

A preocupação ultrapassa o Sul Fluminense. Antes mesmo da renovação da medida, 19 centrais sindicais e entidades representativas dos trabalhadores encaminharam cartas ao presidente da República e aos ministérios defendendo o encerramento das cotas de importação para kits desmontados.

Entre os signatários estavam CUT, Força Sindical, CTB, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e sindicatos de diversas regiões industriais do país.

Governo defende caráter temporário da medida

O Governo Federal sustenta que a prorrogação da cota de importação com alíquota zero, limitada a US$ 463 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões) e válida por apenas seis meses a partir de 1º de julho, tem caráter temporário e busca facilitar a transição das novas montadoras para a produção nacional.

Segundo o Governo, o objetivo é garantir competitividade ao mercado de veículos elétricos, evitar aumentos abruptos de preços ao consumidor e assegurar previsibilidade durante o processo de instalação das fábricas.

Fonte: Diariodoporto.

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