A poucos mais de 15 dias do início da cobrança da nova taxa de turismo em Angra dos Reis, o debate sobre os impactos da medida voltou a mobilizar empresários, moradores e representantes políticos da região.
Prevista para entrar em vigor em 1º de junho, a cobrança continua gerando descontentamento no município, especialmente entre integrantes do setor turístico da Ilha Grande, que temem prejuízos econômicos e redução no fluxo de visitantes.
O tema foi discutido na noite de quinta-feira (14), durante audiência pública promovida pela Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), realizada na praça central da Vila do Abraão. Representantes do turismo criticaram o modelo adotado pela prefeitura e questionaram os critérios utilizados para definir o valor da taxa.
Ponto de conflito
A partir de junho, turistas passarão a pagar uma taxa fixa de R$ 50 por pessoa, válida por 30 dias, para acesso tanto ao continente quanto às ilhas de Angra dos Reis.
Durante a audiência, representantes do setor afirmaram que um estudo técnico elaborado pela própria prefeitura indicava uma cobrança muito inferior. Segundo eles, o documento recomendava uma taxa de R$ 2,70, com arrecadação direcionada exclusivamente para um fundo de preservação ambiental da Ilha Grande.
O modelo aprovado, no entanto, prevê destinação dos recursos para o caixa geral do município, ponto que também foi alvo de críticas durante o encontro.
Reação do setor de hospedagem
A Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande (AMHIG) esteve entre as entidades que mais criticaram a medida. Representando a associação, Frederico Britto afirmou que a cobrança poderá afetar diretamente a atividade turística da região, principal motor econômico da ilha.
Segundo Britto, o custo adicional pode dificultar o acesso de famílias ao destino e desestimular viagens para Angra dos Reis. “Um casal com um filho gastará quase R$ 750 apenas com barco e taxa, sem contar o translado até Angra dos Reis.
Isso é incentivo ao turismo?” , questionou.
O representante da associação também afirmou que a AMHIG continuará mobilizada contra a implementação da cobrança. “Ordenamento se faz com gestão, não com taxação.
A Associação é contra essa medida e vai continuar lutando por um turismo realmente sustentável na Ilha Grande”, declarou.
Discussão política
Membro efetivo da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Alerj, o deputado Marcelo Dino (PL) afirmou que a medida pode provocar impactos econômicos e sociais para trabalhadores e empresários ligados ao turismo local.
“Essa taxa cria transtornos, prejudica o turismo e afeta quem gera emprego. Nós vamos lutar contra essa cobrança, seja na Justiça ou no Tribunal de Contas”, afirmou o parlamentar.
A audiência pública reuniu representantes do setor turístico, moradores e parlamentares em meio ao aumento da pressão sobre a prefeitura para rever o formato da cobrança antes do início da vigência da taxa.
Fonte: Agenda do Poder.
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