Rio fecha acordo com Petrobras e concessionária para reduzir preço do GNV em 6,5%
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Rio fecha acordo com Petrobras e concessionária para reduzir preço do GNV em 6,5%


O governo do estado do Rio de Janeiro firmou um acordo com a Petrobras e com a concessionária Naturgy para reduzir o preço do gás natural veicular (GNV) em cerca de 6,5%. A medida também alcança o gás de cozinha e o fornecimento destinado ao setor industrial, em percentuais menores.

O impacto estimado é de 1,5 milhão de motoristas fluminenses que utilizam veículos movidos a gás.

O percentual final de redução ainda será calculado pela Naturgy e submetido à análise da Agenersa, responsável por validar os parâmetros tarifários. Somente após essa etapa a nova tarifa poderá entrar em vigor.

Segundo estimativas do governo estadual, o recuo deve ser de cerca de 6% para o gás industrial e de 2,5% para o gás liquefeito de petróleo destinado ao consumo residencial. O aditivo contratual que viabiliza a mudança já foi homologado pela agência reguladora e será publicado no Diário Oficial do Estado nos próximos dias.

De acordo com a Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, que mediou a negociação entre Petrobras e Naturgy, a alteração contratual tem efeito de política pública energética, ao reorganizar a formação de preços do insumo no estado.

Dados da ANP apontam que o Rio concentra a maior produção de gás natural do país. Em 2025, o estado respondeu por 76,9% da produção nacional, reforçando o peso da cadeia energética fluminense no mercado interno.

Preço de derivados

O acordo ocorre em um cenário de alta internacional dos derivados de petróleo, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente após a guerra envolvendo o Irã. A instabilidade afetou o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa parcela significativa do petróleo e gás mundial.

Com bloqueios na região e interrupções logísticas, o preço do petróleo tipo Brent avançou mais de 40% em poucas semanas. Por se tratar de uma commodity negociada globalmente, a alta atingiu também países produtores como o Brasil, com reflexos mais intensos no diesel.

Gás ainda de fora

Apesar da pressão externa sobre os combustíveis, o GNV não acompanhou a tendência de alta no último ciclo inflacionário. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, mostram que o gás natural veicular recuou 1,24% em abril.

No mesmo período, a gasolina subiu 1,86% e foi o principal item de impacto no índice. Técnicos do IBGE avaliam que a menor dependência de importação é um dos fatores que explicam o comportamento mais estável do GNV em relação a outros combustíveis.

Mais produção, menor preço

A expansão da oferta de gás natural é tratada como eixo central da estratégia da Petrobras. A presidente da companhia, Magda Chambriard, tem defendido que o aumento da produção é determinante para a redução estrutural de preços.

Segundo a estatal, a produção diária de gás no país passou de 29 milhões de metros cúbicos para entre 50 e 52 milhões de metros cúbicos desde a mudança de gestão, em 2024. A avaliação interna é de que o aumento da oferta pressiona os preços para baixo no mercado interno.

Gás natural e fertilizante

A Petrobras também relaciona o preço do gás à retomada de investimentos no setor de fertilizantes. A reativação da unidade de Camaçari (BA) foi viabilizada, segundo a estatal, pelo custo mais baixo do insumo.

O gás natural é base para a produção de ureia, utilizada em larga escala na agricultura. Com três unidades operando no país (Sergipe, Bahia e Paraná) a companhia estima atender cerca de 20% da demanda nacional de fertilizantes.

A empresa também avança na conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), com previsão de operação em 2029. A expectativa é elevar a participação da estatal no mercado de ureia para 35%, em um cenário em que o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome.

Com informações da Agência Brasil

Fonte: Enfoco.

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