Data centers, IA e os custos sociais para o Rio: o que significa virar um polo da Big Tech?
A prefeitura do Rio promove o projeto Rio AI City no antigo Parque Olímpico, que pretende transformar a cidade em um dos maiores polos de data centers da América Latina. A proposta gerou polêmica entre pesquisadores e moradores de bairros que já sofrem com falta de água, energia e moradia.
Segundo Piero Sclaverano dos Reis, pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, o projeto pode chegar a uma demanda energética de 3 gigawatts (GW). Para efeito de comparação, esse volume supera a carga média da região metropolitana do Rio, estimada em 1,8 GW.
Os data centers exigem três recursos críticos: energia 24 horas por dia, sistemas de refrigeração que consomem enormes quantidades de água e grandes estruturas físicas. O consumo de água de um único centro equivale ao de dezenas de milhares de residências.
A prefeitura, em pedidos via Lei de Acesso à Informação, não forneceu dados sobre consumo de energia, uso de água ou impactos ambientais previstos. A Secretaria de Meio Ambiente e Clima alegou que tal informação não existe em seus sistemas.
Ascenty já opera dois data centers em Pavuna, na fronteira com a Baixada Fluminense — região marcada por falta d’água e quedas de energia que afetam o Complexo da Pedreira, Chapadão e Morro da Lagartixa. Equinix mantém facilities em Botafogo e Del Castilho, e Cirion em São Cristóvão, com potencial demanda de 80 MW em área com favelas como Tuiuti, Barreira do Vasco e Caju.
Em outros países, há resistência. Irlanda e Holanda suspenderam novos data centers por pressão sobre redes elétricas. Mais de 100 comunidades nos Estados Unidos já proibiram a instalação. Segundo dados da Bloomberg, em regiões próximas a grandes data centers, a conta de luz chegou a custar 267% mais cara em um mês do que cinco anos atrás.
“Estamos numa lógica de transferência de custos e impactos, com concentração de lucros nos países do Norte Global”, aponta o pesquisador Deivison Faustino, da Unifesp, sobre o que classifica como colonialismo digital.
Com informações de RioOnWatch.
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