Sociedade civil do Rio se une em frente contra o abate de árvores pela prefeitura
Movimentos ambientalistas, associações de moradores, técnicos e especialistas se reuniram no auditório Tércio Pacitti da Unirio, na Urca, para criar a Frente Urbana das Árvores. O encontro denuncia o desmantelamento de programas de reflorestamento e a poda predatória que mata árvores em diversos bairros do Rio.
Nos últimos anos, o município acumulou um déficit de mais de 800 mil árvores removidas, com uma média alarmante de 35 cortes por dia. Segundo dados da prefeitura, o Rio derrubou 5.216 árvores em 2021 — número que mais do que dobrou em 2025, chegando a 13.130.
A chamada “poda predatória” ou “decapitação” de árvores ocorre de forma indiscriminada, removendo galhos e folhas em desproporção, frequentemente deixando apenas o tronco. O resultado: a árvore perde a capacidade de se regenerar, morre, e o microclima fica mais quente.
Casos relatados pelos moradores incluem 71 árvores derrubadas no antigo Colégio Bennett, em Flamengo; 130 árvores centenárias autorizadas no Jardim de Alah; cerca de 900 árvores na Barra da Tijuca em obra próxima à Lagoa de Jacarepaguá; e mais de 3.400 árvores cortadas só na Zona Sul nos últimos dez anos.
A nova frente, formada por entidades como Movimento Baía Viva, FAM Rio, Reflorestamento Urbano, Clube de Engenharia e Sindicato dos Engenheiros, exige transferência da gestão arbórea da Comlurb para a Fundação Parques e Jardins, transparência nas remoções, restauração do orçamento ambiental e responsabilização da Light por fiação subterrânea. O grupo prepara ainda abaixo-assinado popular com meta de 500 mil a 1 milhão de assinaturas.
Em paralelo, a especulação imobiliária pressiona áreas verdes. “Quando o valor da terra aumenta por causa de parâmetros de zoneamento, a terra é comprada para gerar lucro. E as árvores nessas áreas acabam desaparecendo”, afirma o arquiteto e urbanista Roberto Rocha.
Com informações de RioOnWatch.
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