Rio recebe conferência internacional sobre expansão da música latina
Evento reúne executivos, artistas e especialistas para discutir tecnologia, streaming e crescimento da música latina no mundo.
O crescimento acelerado da música latina no mercado global será o eixo central da Conferência Internacional Latin Rio, que acontece entre os dias 18 e 20 de maio, no Centro Cultural da Fundação Getulio Vargas, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O encontro reunirá executivos, produtores, artistas, empresários e especialistas da cadeia musical para debater os desafios e as oportunidades de um setor que vive um dos períodos mais expansivos de sua história recente.
Promovido pela Vamonos Music e Do Rio Music, em parceria com a Fundação Getulio Vargas, o evento conta ainda com apoio institucional da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e da Riotur.
A conferência chega em um momento de forte aquecimento da indústria musical. Segundo dados recentes da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), o mercado global da música cresceu 6,4% em 2025, alcançando o 11º ano consecutivo de expansão.
A América Latina aparece como a região de crescimento mais acelerado do planeta, impulsionada sobretudo pelo avanço do streaming e pela consolidação de artistas latinos nos principais mercados consumidores.
Nesse cenário, o Brasil ocupa atualmente a oitava posição entre os maiores mercados fonográficos do mundo, enquanto o México aparece em décimo lugar. Nos Estados Unidos — maior mercado musical global — a música latina já representa 8,8% da receita total da música gravada, consolidando um movimento que ultrapassa o caráter regional e passa a influenciar diretamente tendências globais de consumo cultural.
“A América Latina claramente emergiu culturalmente e já está moldando o som da música global. Por isso, a próxima década na região não será sobre provar potencial, mas sobre capturar esse valor.
A região deixa de apenas participar para exercer influência, abrindo a oportunidade de moldar o negócio da mesma forma que molda os sons e talentos globais. O Brasil está em uma posição fantástica agora, tornando-se pela primeira vez o 8º maior mercado musical do mundo, além dos quase R$ 2 bilhões gerados por artistas brasileiros no Spotify somente em 2025”, afirma Mia Nygren, diretora-geral do Spotify para a América Latina.
O fenômeno pode ser observado no alcance internacional de artistas como Bad Bunny, que se tornou um dos nomes mais ouvidos do planeta nos últimos anos, além de Karol G, J Balvin e Peso Pluma, expoentes da música urbana latina contemporânea. O sucesso desses artistas demonstra como o espanhol deixou de ser uma barreira comercial para se transformar em ativo cultural estratégico da indústria global.
O Brasil também participa desse movimento de internacionalização. O funk carioca, por exemplo, ganhou espaço em festivais internacionais, playlists globais e colaborações com artistas estrangeiros.
Nomes como Anitta abriram caminho para uma inserção mais consistente da música brasileira no circuito pop internacional, enquanto artistas como Ludmilla, MC Cabelinho e Kevin O Chris ampliam a presença do funk e da música urbana brasileira nas plataformas digitais e no mercado externo.
A ascensão internacional de gêneros como reggaeton, trap latino, funk brasileiro e música urbana em espanhol alterou o eixo tradicional da indústria fonográfica. Plataformas digitais como Spotify, YouTube e TikTok passaram a desempenhar papel decisivo na internacionalização de artistas latino-americanos, reduzindo barreiras linguísticas e ampliando o alcance de produções independentes.
Protagonismo da América Latina
Além do crescimento econômico, especialistas apontam que o mercado vive uma fase de reorganização estrutural. Debates sobre direitos autorais, inteligência artificial, monetização digital, gestão de carreira e liberdade criativa têm ocupado espaço central na indústria contemporânea.
A Conferência Internacional Latin Rio pretende justamente aprofundar essas discussões, reunindo profissionais com atuação no Brasil e no exterior para analisar os caminhos possíveis para o fortalecimento sustentável da música latina.
A programação da Latin Rio acontecerá no Centro Cultural da FGV e abordará temas considerados estratégicos para o futuro da indústria musical. Entre os painéis previstos estão “América Latina: O Motor de Crescimento da Indústria”, “Caminhos para maior trânsito de artistas pela América Latina”, “Poder Cultural: Por Que a Diversidade Latina Vence”, “Música como Classe de Ativos” e “Marketing na Era Algorítmica”.
Também estarão em debate o crescimento da influência latina no audiovisual e as oportunidades de sincronização musical — o chamado mercado de “sync”, que envolve o licenciamento de músicas para filmes, séries, publicidade e games — além da expansão das startups de music tech no Brasil e na América Latina.
A proposta reforça o caráter pioneiro do encontro ao integrar produção artística, mercado financeiro, tecnologia, inovação e direito em um mesmo ecossistema de discussão. Em um momento em que fundos de investimento, plataformas digitais e empresas de tecnologia ampliam sua presença no setor musical, a conferência busca refletir sobre os impactos econômicos e culturais dessa transformação.
A abertura oficial acontece no dia 18 de maio, no Solar Botafogo, com shows de Bokage, King e Carlos do Complexo. O credenciamento começa às 18h.
Mais do que um encontro setorial, a Latin Rio busca posicionar o Rio de Janeiro como polo estratégico para o debate internacional da economia criativa e da música latina. Em uma cidade cuja identidade cultural sempre esteve profundamente ligada à música — do samba ao funk — o evento reforça também a disputa global por protagonismo cultural em um mercado cada vez mais conectado, digital e transnacional.
Fonte: VEJA RIO.
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