A despeito da sangria provocada pelas revelações do The Intercept, o clã Bolsonaro decidiu dobrar a aposta. Em uma tentativa de estancar a desidratação de sua autoridade política, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descartou publicamente qualquer possibilidade de ceder seu lugar na chapa presidencial de 2026 para a madrasta, Michelle Bolsonaro.
“Michelle não será candidata”, sentenciou o parlamentar em entrevista ao portal Metrópoles. A declaração busca sufocar o movimento crescente de aliados que, temendo o contágio do escândalo do Banco Master, já articulavam o nome da ex-primeira-dama como uma alternativa “limpa” e com maior apelo junto ao eleitorado evangélico e feminino.
O “Fica” de Jair e o pragmatismo jurídico
A decisão de manter o nome de Flávio na vitrine eleitoral não foi isolada. O ex-presidente Jair Bolsonaro agiu pessoalmente como fiador da resiliência do filho.
Segundo interlocutores, o patriarca orientou o “Zero Um” a não recuar, sob o argumento de que uma desistência agora seria lida como uma confissão de culpa antecipada.
A estratégia traçada pelo núcleo jurídico e político do senador foca na narrativa da transparência tardia. A orientação é que Flávio passe a “contar toda a verdade” — uma tentativa de resignificar os áudios com Daniel Vorcaro como meras tratativas de mercado para um projeto cultural privado, sem dinheiro público envolvido.
O Xadrez Interno: Flávio vs. Michelle
O risco da “Candidatura Zumbi”
Analistas políticos em Brasília veem com ceticismo a manutenção da pré-candidatura. O receio é que Flávio se transforme em uma “candidatura zumbi”: alguém que segue no jogo, mas sem oxigênio para crescer, servindo apenas como alvo para o Governo Lula.
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Isolamento no PL: Embora o partido mantenha o apoio formal, alas regionais já temem o impacto nas chapas de governadores e deputados.
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Aposta na Verdade: A tese de “contar tudo” é arriscada, pois novas camadas da Operação Compliance Zero podem desmentir versões oficiais em tempo real.
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O fator Michelle: Ao barrar a madrasta, Flávio também protege seu espólio político dentro da família, evitando que outra liderança assuma o vácuo deixado por seu pai.
A insistência de Flávio Bolsonaro coloca o PL em uma rota de colisão com as pesquisas de opinião, que já mostram um derretimento de sua imagem após os áudios do “irmão” Vorcaro. O próximo capítulo dessa crise dependerá da capacidade do senador de transformar explicações jurídicas em votos, em um cenário onde a palavra “confiança” tornou-se o artigo mais escasso de sua campanha.
Fonte: Diariocarioca.
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