PF aponta grupo no Rio ligado a jogo do bicho e milícia em investigação sobre Banco Master
Segurança Pública

PF aponta grupo no Rio ligado a jogo do bicho e milícia em investigação sobre Banco Master


A Polícia Federal apontou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria mantido um grupo no Rio de Janeiro para ameaçar e constranger pessoas que contrariavam interesses ligados ao banco. A informação consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso na Corte.

Segundo as investigações, a estrutura reuniria operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais. O grupo faria parte de uma organização chamada “A Turma”, suspeita de intimidar adversários, vigiar desafetos e acessar informações sigilosas de processos judiciais.

No Rio, o braço local seria comandado por Manoel Mendes Rodrigues, descrito na investigação como “empresário do jogo”. Ele foi alvo de mandado de prisão preventiva na sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira.

Na decisão, André Mendonça cita a gravidade da atuação atribuída ao grupo. “Pelas características já identificadas, a autoridade policial ainda acrescenta ser plausível inferir que esse braço local é formado por operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais.

Tais circunstâncias conferem especial gravidade ao papel desempenhado por Manoel, na medida em que ele surge como elo entre o comando central da organização e a força local empregada para intimidação física e constrangimento direto de alvos”, diz a decisão do STF.

Episódios teriam ocorrido em Angra dos Reis

A PF identificou episódios em que esse braço da “Turma” teria atuado no estado do Rio de Janeiro. Um deles ocorreu em junho de 2024, em Angra dos Reis, na Costa Verde.

De acordo com as investigações, após serem acionados por Daniel Vorcaro, integrantes do grupo teriam ido a uma marina para ameaçar o comandante de uma embarcação ligada ao banqueiro. Depois, os mesmos homens teriam seguido para um hotel na cidade, onde teriam intimidado um ex-chefe de cozinha apontado como desafeto de Vorcaro.

A Polícia Federal também encontrou mensagens em que o banqueiro orientaria o “levantamento de tudo” e mandaria “ir pra cima” do funcionário. Segundo a decisão, um interlocutor respondeu que as ações já estavam em andamento.

“Esse conjunto de elementos demonstra que o subnúcleo carioca atuava a partir de ordens concretas do núcleo central, sendo Manoel, em tese, um dos executores locais dessas determinações”, afirmou André Mendonça na decisão.

A investigação também cita o relato de uma testemunha que afirmou ter sido ameaçada por um grupo de homens, entre eles uma pessoa identificada como Manoel, descrita como amiga de Vorcaro e ligada ao jogo do bicho.

Para o ministro, Manoel Mendes Rodrigues teria atuado como “intimidador qualificado, alguém utilizado precisamente para causar medo, conferir credibilidade à ameaça e projetar poder coercitivo no ambiente local”.

Nova fase da Operação Compliance Zero

As informações fazem parte da nova fase da Operação Compliance Zero, que cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Entre os alvos estão Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, policiais federais da ativa e aposentados, hackers e o empresário apontado como ligado ao jogo do bicho.

Em nota, a Polícia Federal informou que investiga uma organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos eletrônicos.

Os crimes investigados incluem ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, violação de sigilo funcional e invasão de dispositivos informáticos.

A PF afirma ter reunido elementos sobre a atuação de “A Turma” a partir de materiais apreendidos com o empresário Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como responsável por operacionalizar ações do núcleo. Ele havia sido preso em fase anterior da Operação Compliance Zero e morreu posteriormente após ser encontrado desacordado durante custódia.

Fonte: Diário do Rio.

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