O xadrez político de Brasília ganhou novos contornos nesta quarta-feira (13). O senador Flávio Bolsonaro (PL) quebrou o silêncio e admitiu ter procurado o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para viabilizar o financiamento do filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A admissão ocorre no rastro de revelações do portal Intercept, que expuseram um áudio de setembro de 2025. Na gravação, o parlamentar cobra parcelas atrasadas do projeto.
Embora confirme o diálogo, a defesa do senador sustenta que o contato se deu estritamente na esfera privada, sem qualquer contrapartida pública ou uso de Leis de Incentivo (Lei Rouanet).
O preço do legado em película
Os valores em jogo são vultosos: cerca de R$ 61 milhões (equivalentes aos US$ 24 milhões citados em briefings anteriores). Flávio Bolsonaro argumenta que o patrocínio é uma transação comercial legítima entre entes privados.
No entanto, o tom da cobrança e a proximidade com o sistema financeiro alimentam a munição da oposição no Congresso Nacional.
Para o senador, o encontro com Vorcaro em dezembro de 2024 aconteceu em um momento de “limpidez” jurídica do banqueiro. A narrativa da defesa foca na separação entre o papel de filho zeloso pelo legado do pai e o cargo público ocupado no Senado Federal.
A tática da melhor defesa é o ataque
Em uma manobra ousada, Flávio Bolsonaro utilizou o episódio para dobrar a aposta: defendeu abertamente a instalação de uma CPI do Banco Master. A estratégia visa esvaziar as acusações de que estaria protegendo o banqueiro ou o banco.
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Isolamento de risco: O senador nega ter intermediado reuniões ministeriais para o banco.
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Transparência seletiva: Afirma que sua agenda oficial é o único registro de seus atos públicos.
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Foco no mercado: A CPI serviria, segundo ele, para “separar inocentes de bandidos” dentro do setor financeiro.
Radiografia do Conflito
2026 no horizonte cinematográfico
O filme “Dark Horse” não é apenas uma peça de entretenimento; é um ativo de marketing político para as eleições de 2026. A direita busca consolidar a narrativa do legado de Jair Bolsonaro, e o financiamento robusto de Vorcaro seria o motor dessa máquina de propaganda.
O contra-ataque de Flávio, pedindo a investigação parlamentar da própria instituição financeira envolvida, é visto nos bastidores como um movimento para desviar o foco da notícia de fato apresentada por Lindbergh Farias. Enquanto o STF e a PGR analisam o teor dos áudios, a guerra de narrativas ocupa o vácuo de uma investigação oficial ainda não aberta.
Fonte: Diariocarioca.
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