A engrenagem financeira por trás de “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, acaba de ganhar um rosto e uma narrativa detalhada. O publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, confirmou que intermediou o aporte de R$ 62 milhões feito por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para a produção do longa-metragem.
As revelações, trazidas inicialmente pela coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, expõem que o projeto não era um simples patrocínio, mas um investimento direto de Vorcaro. O fluxo de capital, no entanto, foi subitamente interrompido com a deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro.
O “garoto de ouro” de Hollywood em Brasília
Miranda descreveu a produção como algo de dimensões “astronômicas”, envolvendo produtores de Los Angeles e uma estrutura de padrão internacional. O segredo era a alma do negócio: as gravações ocorreram sob absoluto sigilo, longe dos radares da imprensa tradicional, até que o Intercept Brasil trouxesse as mensagens de Flávio Bolsonaro à tona.
Segundo o publicitário, quem apresentou o projeto a Vorcaro foi o deputado federal Mario Frias (PL). Embora Flávio Bolsonaro apareça em diálogos cobrando “uma luz” sobre pagamentos atrasados, Miranda sustenta que era Frias quem estava oficialmente à frente da captação e condução do filme.
Marketing de guerrilha e influência
A atuação da agência de Thiago Miranda já estava sob escrutínio por promover uma espécie de “blindagem digital” para o Banco Master, atacando medidas do Banco Central. Agora, o elo se fecha com a produção cultural: o banco não buscava apenas rentabilidade, mas a consolidação de uma narrativa política poderosa às vésperas do pleito de 2026.
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Interrupção brusca: Os R$ 62 milhões foram apenas uma parte do previsto; a crise no Master secou a fonte.
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O papel de Flávio: Mensagens mostram o senador enviando fotos do set de filmagem para o banqueiro.
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Novos players: Com a queda de Vorcaro, Mario Frias teria iniciado uma busca frenética por novos investidores para não paralisar a pós-produção.
Cronologia do Investimento
O fator 11 de setembro
A data de estreia escolhida para “Dark Horse” não é aleatória: 11 de setembro, a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais. A produção é vista como a “bala de prata” da propaganda bolsonarista.
Com o vácuo deixado pelo Banco Master, o mercado político agora especula quem assumiu a conta. O que era para ser uma peça de marketing sutil transformou-se em um documento de inteligência sobre como o capital financeiro e o poder político se misturaram nos bastidores de uma produção hollywoodiana feita sob medida para o Planalto.
Fonte: Diariocarioca.
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