A Polícia Federal (PF) devolveu nesta quarta-feira (13) duas peças sacras em prata à Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, no Centro do Rio, após uma investigação que rastreou os objetos em leilões realizados no estado de São Paulo. A entrega ocorreu na Superintendência Regional da corporação, na região da Praça Mauá.
Os itens restituídos são um atril litúrgico e um porta-paz, ambos em prata e vinculados ao acervo histórico do templo, tombado em âmbito federal. As peças haviam sido identificadas em catálogos de casas de leilão e recolhidas ao longo das diligências conduzidas pela Polícia Federal.
O caso teve início após comunicação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio de Janeiro, que alertou para a oferta de bens possivelmente pertencentes à igreja em certames de antiguidades. A partir disso, a PF abriu investigação para apurar a origem e a eventual vinculação dos objetos ao acervo religioso.
Segundo as apurações, o porta-paz chegou a ser arrematado em leilão, mas foi entregue voluntariamente às autoridades, que formalizaram a apreensão. Já o atril foi retirado da venda pelo leiloeiro e permaneceu sob custódia até a conclusão das análises técnicas.
Exames e oitivas realizados pela PF, em conjunto com laudos técnicos do IPHAN, indicaram que as peças teriam ingressado no mercado de antiguidades por meio de espólios familiares formados há décadas, sem documentação formal de aquisição. Não foram encontrados elementos suficientes para responsabilização penal, mas houve recomendação de restituição ao patrimônio de origem.
Os objetos fazem parte de um conjunto de pratarias litúrgicas reunido entre os séculos XVIII e XIX pela irmandade responsável pelo templo. Segundo levantamento da instituição, mais de 300 peças desapareceram entre as décadas de 1970 e 1990, incluindo cálices, cruzes processionais e castiçais.
Em 2024, outras peças do acervo já haviam sido recuperadas pela PF após identificação em leilões, em um movimento de retomada de bens históricos vinculados à igreja.
A irmandade informou que pretende realizar uma celebração religiosa para marcar o retorno dos objetos. A cerimônia deve incluir procissão interna na igreja, com entrada simbólica das peças até o altar.
Fonte: Enfoco.
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