Rua da Cerveja ganha forma com calçadas mais largas e menos espaço para carros
A Rua da Carioca, no Centro do Rio, começa a ganhar contornos do projeto que prevê sua transformação na futura Rua da Cerveja. As intervenções em andamento ampliam as calçadas, reduzem o espaço destinado aos veículos e alteram o desenho urbano de uma das vias mais tradicionais da região central.
As obras incluem a abertura de trechos da via para expansão das calçadas em cerca de 1,5 metro, além da redução do número de faixas de circulação de três para duas, uma delas destinada ao corredor de BRS. A proposta é priorizar o fluxo de pedestres e estimular a ocupação comercial voltada à gastronomia e ao lazer.
O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou para jornal O Globo que o projeto busca qualificar o espaço público e estimular a retomada da vida urbana no Centro.
“O projeto qualifica o espaço público e amplia a circulação de pessoas. A Rua da Cerveja vai fortalecer a ocupação do Centro com mais vida urbana e melhor infraestrutura”, disse.
Entre comerciantes, no entanto, a intervenção ainda gera divisões. Parte dos lojistas afirma que a redução do espaço para veículos pode prejudicar o movimento, especialmente de clientes que dependem do acesso de carro.
Um funcionário de uma loja da região critica o impacto das mudanças no dia a dia do comércio.
“O movimento já estava fraco e piorou com as obras. Nosso público vem de carro.
Com menos uma faixa, vai ficar mais difícil parar e comprar aqui”, afirmou.
Por outro lado, empresários que já apostaram no novo formato da Rua da Carioca defendem a intervenção e afirmam que a tendência é de aumento da circulação de pedestres e dinamização do comércio local. O argumento é que a nova configuração também deve facilitar a fiscalização do uso do espaço público.
“Nessa fase da obra, é normal que alguns tenham dúvidas. Mas são minoria.
O projeto vai abrir um grande espaço de circulação. A diferença de tons na calçada vai até ajudar na fiscalização para verificar se os estabelecimentos cumprem a exigência de manter um espaço mínimo para a passagem de pedestres”, disse um empresário do setor de cervejarias instalado na região.
No lado par da rua, onde as obras estão mais avançadas, já é possível observar o novo padrão de pavimentação. As áreas originais em pedras portuguesas foram preservadas em parte do trecho, enquanto os pontos ampliados receberam revestimento em granito branco, em contraste com o calçamento histórico.
O prefeito afirmou que o uso do granito foi definido por sua resistência e que a solução foi aprovada por órgãos de preservação.
“O granito é um material mais resistente. Consultados, o Iphan e o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) aprovaram a solução”, disse Cavaliere.
O projeto também prevê a instalação de novo mobiliário urbano e sistema de iluminação pública, ainda não iniciados. Entre os pontos em estudo pela prefeitura estão outras vias do Centro, como a Rua do Senado e a Rua do Teatro, que podem receber intervenções semelhantes.
As obras enfrentaram percalços ao longo da execução. Em 15 de abril, a Coordenadoria-Geral de Obras da Secretaria Municipal de Infraestrutura notificou o consórcio responsável após fiscais identificarem paralisação do canteiro e ausência de acompanhamento técnico por pelo menos cinco dias.
Durante a vistoria, também foram registradas falhas de sinalização e pedras portuguesas soltas nas calçadas, o que representava risco aos pedestres. O consórcio foi intimado a retomar o ritmo dos trabalhos e reforçar a segurança do local.
No mesmo dia da notificação, foi publicado no Diário Oficial um aditivo de R$ 722 mil ao contrato, elevando o custo total da obra para R$ 3,6 milhões.
Em meio ao andamento das obras, uma reunião recente entre comerciantes, representantes do poder público e concessionárias buscou tratar de demandas operacionais da região. O encontro foi articulado pela Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal do Rio e contou com a presença de donos de bares, técnicos da Águas do Rio e representantes das secretarias municipais.
Um dos principais pontos discutidos foi o abastecimento de água na Rua da Cerveja, considerado essencial para o funcionamento das cervejarias instaladas na área. Como encaminhamento, a concessionária apresentou a proposta de um plano de contingência, incluindo a disponibilização de caminhão-pipa de prontidão em caso de interrupções no serviço, além da criação de um canal direto de comunicação com os comerciantes e revisão de eventuais cobranças.
Segundo Alexandre Rinaldi, que acompanha o projeto na Comissão de Assuntos Urbanos, o diálogo entre os diferentes setores é fundamental para o andamento da iniciativa e para a consolidação do novo polo no Centro.
“Esse diálogo entre empresários, poder público e concessionárias é essencial para o sucesso da Rua da Cerveja. Nas últimas semanas, o projeto avançou e essas reuniões ajudam a alinhar questões importantes para o funcionamento da via”, afirmou.
Fonte: Diário do Rio.
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