Rio lidera prejuízo com roubo de cargas e medicamentos entram na mira das quadrilhas
O Rio de Janeiro voltou a liderar o mapa do roubo de cargas no Brasil no 1º trimestre de 2026. Segundo o relatório Report nstech de Roubo de Cargas, o estado concentrou 44% dos prejuízos nacionais registrados no período, bem acima dos 16,4% observados no mesmo trimestre de 2025 e dos 17,5% de 2024.
O levantamento, elaborado pela nstech, empresa de software para supply chain, tem como base informações apuradas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, que integram o ecossistema da companhia. Os dados indicam uma mudança no perfil das ocorrências, com quadrilhas mais seletivas, foco em cargas de alto valor e avanço para áreas urbanas.
No país, o Sudeste voltou a concentrar a maior parte dos prejuízos. A participação da região saltou de 61%, no 1º trimestre de 2025, para 78,2% no mesmo período de 2026.
O desempenho foi puxado principalmente pelo Rio de Janeiro, que aparece como epicentro do risco logístico no período.
Em sentido oposto, a Região Norte, que havia respondido por 20,2% dos prejuízos no 1º trimestre de 2025, não registrou ocorrências no levantamento de 2026. Já o Nordeste avançou para 20,2%, com destaque para a Bahia, que passou de 0,7% para 9,2%.
Medicamentos entram na mira do crime
A principal mudança apontada pelo relatório está no tipo de carga roubada. Os prejuízos envolvendo medicamentos saltaram de 1,7% no 1º trimestre de 2025 para 22,3% no mesmo período de 2026.
O dado indica uma migração das quadrilhas para produtos de maior valor e com maior liquidez no mercado ilegal.
O estudo mostra ainda que 40,4% dos prejuízos do trimestre envolveram cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão. Dentro desse grupo, quase metade das perdas, 44,4%, estava ligada ao setor farmacêutico.
As cargas fracionadas seguem no topo do ranking geral de roubos, com 36,6% dos prejuízos. O índice representa alta de 8,2% na comparação com o 1º trimestre de 2025.
Já os roubos de cigarros tiveram queda forte, passando de 34,1% para 3,7% no mesmo intervalo.
Para Cristiano Tanganelli, VP de Inteligência de Mercado da nstech, o comportamento das quadrilhas mudou. “Diante dos dados, fica claro que o foco dos criminosos não é mais o volume e sim o valor da carga e sua liquidez.
Essa migração tem implicações diretas para a segurança logística no Brasil. O risco se aproxima da última milha, se infiltra em operações urbanas e exige uma resposta cada vez mais baseada em inteligência, integração de dados, colaboração logística e capacidade de adaptação”, analisa Cristiano Tanganelli.
Roubos avançam para áreas urbanas
O relatório também aponta crescimento das ocorrências em áreas urbanas, sobretudo na etapa final de distribuição, conhecida no setor como “última milha”. No Brasil, a participação dos trechos urbanos nas perdas mais que dobrou, passando de 18,9% para 38,5%.
No Rio de Janeiro, esse movimento aparece com força. Segundo o levantamento, 60,7% dos roubos registrados no estado ocorreram em trechos urbanos.
O dado reforça a preocupação com entregas em áreas de grande circulação, centros de distribuição, vias próximas a polos comerciais e rotas de abastecimento dentro das cidades.
A mudança preocupa empresas de logística, transportadoras, seguradoras e varejistas. O roubo de cargas deixa de ficar restrito aos grandes corredores rodoviários e passa a atingir operações mais pulverizadas, com entregas menores, mais frequentes e mais próximas do consumidor final.
Quintas-feiras lideram prejuízos
O estudo também identificou uma alteração no calendário do crime. A quinta-feira passou a concentrar 30% dos prejuízos registrados no trimestre.
Em seguida aparecem as segundas-feiras, com 20,7%, e as terças-feiras, com 16,5%.
O domingo, que em anos anteriores representava mais de 10% dos prejuízos, caiu para 1,4% no 1º trimestre de 2026. A mudança sugere uma readequação das quadrilhas aos fluxos de distribuição e aos dias de maior movimentação logística.
Na análise por horário, a manhã aparece com 28,6% das perdas. A madrugada vem logo atrás, com 28%.
Esse segundo período teve alta importante em relação ao 1º trimestre de 2025, quando respondia por 12,4% das ocorrências. Para o setor, o avanço pode indicar o uso de janelas com menor fiscalização e menor circulação de equipes de apoio.
Entre as rodovias, a BR-101 e a BR-116 voltaram a aparecer entre as principais rotas de risco. A BR-101 respondeu por 21,6% dos prejuízos rodoviários nacionais.
A BR-116 ficou com 13%.
Tecnologia reduz perdas, aponta relatório
Mesmo com o cenário de maior risco, o relatório aponta que o uso de tecnologia de rastreamento, análise preditiva e integração de dados ajudou a reduzir prejuízos. Entre janeiro e março de 2026, as gerenciadoras ligadas ao ecossistema nstech evitaram mais de R$ 72 milhões em perdas.
No mesmo período, houve aumento de 13% no volume de mercadorias gerenciadas, que ultrapassou R$ 550 bilhões. Ainda assim, a sinistralidade foi reduzida e o volume de cargas recuperadas cresceu 9%, segundo a empresa.
Para Cristiano Tanganelli, a resposta ao roubo de cargas exige mais uso de dados e prevenção. “A antecipação e a prevenção exigem inteligência aplicada, integração e uso intensivo de dados para identificar padrões e agir antes que o risco se concretize.
O objetivo fica claro: transformar informação em estratégia e, depois, em ação é chave para a maior segurança nas estradas”, afirma o especialista.
Fonte: Diário do Rio.
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