Governador desiste de helicóptero e facções criminosas do Rio comemoram
Política RJ

Governador desiste de helicóptero e facções criminosas do Rio comemoram


A decisão do governo do Rio de Janeiro de suspender a aquisição do helicóptero blindado Black Hawk representa um retrocesso estratégico no combate às facções criminosas que dominam territórios no estado. Sob a justificativa de auditar o processo licitatório de 70,3 milhões de reais, a administração interina deixa a Polícia Militar desguarnecida de um equipamento de guerra capaz de resistir ao armamento pesado utilizado pelo narcotráfico.

Enquanto a burocracia estatal trava a compra por suspeitas sobre a procedência da aeronave e ligações entre licitantes, as forças de segurança continuam operando com frotas vulneráveis. Dados da própria corporação apontam um crescimento de 66,6% nas avarias causadas por disparos de armas de fogo contra aeronaves no último ano, evidenciando que o crime organizado possui, hoje, capacidade real de abate.

Juridicamente, o cancelamento de uma licitação baseada em desconfianças técnicas, sem a conclusão de processos administrativos sancionatórios, gera insegurança para o planejamento da segurança pública. O Black Hawk é uma aeronave multifuncional de fabricação americana, utilizada em cenários de conflito intenso por sua alta blindagem e poder de dissuasão.

A alegação de que o modelo teria baixa funcionalidade em áreas urbanas ou riscos de deslocamento de telhados parece ignorar a realidade operacional das comunidades, onde o Estado é recebido com tiros de fuzil calibre . 50.

Do ponto de vista legalista, a proteção da vida dos agentes da lei deve ser a prioridade absoluta da administração, e a falta de investimento em tecnologia de ponta configura uma omissão que fortalece o poder bélico paralelo.

Ao abrir mão de uma aeronave de superioridade tática, o governo em exercício sinaliza uma postura de recuo que é rapidamente interpretada pelo crime organizado como fraqueza institucional. A eficiência de uma operação policial em áreas conflagradas depende diretamente da capacidade de transporte de tropas e evacuação médica sob fogo cruzado, funções que o atual modelo Huey II, o único blindado da frota, já não supre com a eficácia necessária.

O argumento financeiro sobre a diferença de preços em relação às compras da Aeronáutica deve ser apurado, mas não pode servir de escudo para a paralisia das ações de repressão ao crime.

Em tempos de democracia relativa e entendimentos jurídicos divergentes, o rigor ético exige que o Estado não exponha seus servidores ao risco extremo por falta de equipamento adequado. A sociedade fluminense assiste, com preocupação, ao esvaziamento dos investimentos em defesa, enquanto o domínio territorial das milícias e do tráfico se consolida.

Sem o suporte aéreo robusto que o Black Hawk ofereceria, o controle da ordem pública torna-se uma meta cada vez mais distante, deixando a população e a tropa à mercê da ousadia de criminosos que não encontram barreira tecnológica à altura de sua violência.

Fonte: O Fluminense.

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