Saúde

Waltercio Caldas suspende o tempo no Cosme Velho


A arte de Waltercio Caldas não pede licença; ela exige presença. A partir do dia 14 de maio de 2026, a Casa Roberto Marinho, no Cosme Velho, torna-se o palco de uma investigação rigorosa sobre a percepção humana.

A mostra o (tempo) reúne cerca de 100 trabalhos que atravessam a trajetória do artista carioca, desde as experimentações seminais de 1967 até produções inéditas de 2025.

O título, grafado com a palavra tempo entre parênteses, já entrega o jogo conceitual. Para Waltercio, os parênteses não são meros adornos gramaticais, mas ferramentas que suspendem o tempo como medida para apresentá-lo como matéria-prima.

“Fazer uma exposição é ainda uma prerrogativa da própria obra”, define o artista, que projetou pessoalmente a expografia para que o espaço do casarão histórico funcione como extensão de suas esculturas.

A engenharia do invisível

O percurso começa com o impactante Quarto Azul (2007). Ao entrar na primeira sala, o visitante é tragado por um campo cromático onde linhas precisas reorganizam o ambiente e desafiam a visão periférica.

É o cartão de visitas ideal para um artista que, ao longo de seis décadas, consolidou-se como um mestre da economia de elementos. Utilizando aço inoxidável, vidro, fios e espelhos, Caldas equilibra peso e leveza com uma precisão quase cirúrgica.

A exposição promove um diálogo direto entre relíquias e o contemporâneo. Obras emblemáticas como Condutores de Percepção (1969) convivem com peças recentes, revelando a coerência de um pensamento poético que ignora cronologias lineares.

  • Pilar Neoconcreto: Waltercio surge no final dos anos 60, herdeiro da renovação que deslocou a arte da representação para a experiência.

  • Materialidade: O uso do vazio como elemento escultórico, onde a ausência de matéria ganha tanto peso quanto o metal ou a pedra.

  • Curadoria de Espaço: A distância entre as peças é calculada para ativar o campo perceptivo do espectador.

Referência absoluta no circuito internacional — com passagens pela Documenta de Kassel e Bienal de Veneza — Waltercio Caldas reafirma na Casa Roberto Marinho por que é um dos pilares do pensamento escultórico brasileiro. A mostra é um convite para que o público não apenas veja, mas “percorra” a materialidade do invisível em um dos jardins mais belos do Rio, projetado por Burle Marx.

Fonte: Diariocarioca.

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