Teatro Elza Osbourne reabre as portas com feira cultural gratuita em Campo Grande
Após meses de portas fechadas por conta de dificuldades estruturais e financeiras, o Teatro Arena Elza Osbourne, conhecido como Lona Cultural de Campo Grande, voltou a receber o público na Zona Oeste do Rio. A reabertura acontece com a realização da Feira Literária e Diversa da Zona Oeste (Flidizo), evento gratuito que começou nesta sexta-feira (15/05) e segue até domingo (17/05), reunindo atrações para todas as idades.
A retomada do espaço foi resultado de uma mobilização de artistas, produtores culturais e moradores da região. Desde março, a direção do teatro vinha buscando alternativas para recuperar a lona, incluindo campanhas de financiamento coletivo e inscrições em editais culturais.
Embora a arrecadação da vaquinha virtual tenha ficado muito abaixo da meta, dos R$ 10 mil esperados, apenas R$ 745 foram obtidos, o espaço conseguiu viabilizar uma reabertura parcial graças ao apoio de iniciativas locais, empréstimos e recursos conquistados em editais.
Diretor da lona, Ives Pierini explicou que a recuperação ocorreu em diferentes frentes. Segundo ele, parte da reinstalação da cobertura foi paga com empréstimos, enquanto outra parcela contou com apoio financeiro do edital do Instituto Renner e da campanha online.
Apesar do retorno das atividades, a estrutura ainda demanda melhorias. Entre as pendências apontadas pela gestão estão os reparos nos aparelhos de ar-condicionado, a recuperação completa do palco italiano e a adaptação do espaço com banheiro acessível para cadeirantes.
Pierini também comentou o andamento do processo de licitação ligado aos recursos destinados à reforma do telhado. Em abril do ano passado, a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica da UFRRJ (Fapur) disponibilizou R$ 1.
- 900 para a obra.
De acordo com ele, a próxima etapa prevê a publicação do termo de referência para contratação da empresa responsável pelo projeto arquitetônico. Depois disso, será aberta a licitação para execução da reforma.
Para o gestor, a manutenção do espaço cultural representa uma necessidade para a região. “A Zona Oeste precisa de lugares como esse.
O Elza acolhe atores, músicos, produtores, artistas visuais e plásticos. Embora seja privado, é um teatro de interesse público”, afirmou.
Ele também destacou o legado deixado por seu pai, Ives Macena (1956-2026), fundador da lona cultural.
A programação da Flidizo reúne peças teatrais, oficinas, saraus, sessões de contação de histórias, espaço de RPG e troca de livros, com foco na valorização da produção artística local e no incentivo à leitura. Neste sábado (16/05), o evento também prestará homenagem a Ives Macena, que morreu no último dia 6, aos 74 anos.
Entre as atrações previstas para esta sexta-feira estão a apresentação “O Capitão Livrão”, às 13h30, seguida de uma oficina de ilustração. Às 14h30, a escritora Nancilia Pereira participa de uma entrevista sobre o espectro autista em crianças e adultos.
Mais tarde, às 16h30, Gui Soarré apresenta “Entre Histórias e Cantigas”. Já às 18h, haverá um debate sobre a difusão de autores negros na literatura, com participação dos escritores Yago Eloy, Eliane Marcellina e Aline Lourenço, mediado pelo ator Alexandre Damascena.
A programação do dia termina com um show às 19h.
A atriz Cimara Mattos, uma das convidadas do evento, falou sobre o significado da reabertura do teatro em sua trajetória artística. “Foi nesse espaço que recebi meus primeiros aplausos.
Voltar a atuar aqui é muito especial”, declarou.
No domingo (1705), às 19h, Cimara sobe ao palco interpretando a Princesa Isabel na peça “Pedro Alcântara: o Último Imperador”. Segundo a atriz, o espetáculo propõe reflexões contemporâneas sobre desigualdade, memória, identidade e reparação, a partir da história do Brasil.
A Lona Cultural Elza Osbourne está localizada na Estrada Rio do A, 220, em Campo Grande.
Fonte: Diário do Rio.
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