Greve de ônibus no Rio de Janeiro é mantida e rodoviários cobram dignidade em audiência no TRT
A greve dos rodoviários na cidade do Rio de Janeiro expõe as contradições estruturais de um sistema de transporte público gerido pela lógica do lucro privado. Iniciada à meia-noite desta segunda-feira, a paralisação foi referendada em assembleia da categoria diante da ausência de propostas reais do patronato.
O movimento paredista joga luz sobre as condições degradantes enfrentadas pelos rodoviários fluminenses no cotidiano das grandes avenidas. A categoria exige a recomposição das perdas inflacionárias e o fim das contratações temporárias no sistema BRT, operado sob forte precarização trabalhista.
Uma audiência de mediação foi agendada para a manhã desta terça-feira no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região. Os trabalhadores prometem se concentrar na porta do edifício jurídico para pressionar o sindicato das empresas de viação por um acordo justo.
O cotidiano da classe trabalhadora nos pontos de embarque
A paralisação gerou impactos imediatos na mobilidade da população trabalhadora carioca ao longo de toda a segunda-feira. Longas filas e tempos de espera de até duas horas foram registrados nos principais terminais e eixos de conexão da capital.
A Justiça do Trabalho estipulou a manutenção de uma frota mínima de 50% em circulação sob pena de sanções financeiras. O sindicato patronal Rio Ônibus alegou que menos de mil coletivos ganharam as ruas, acusando piquetes de inviabilizar a operação.
O comando de greve rebateu as narrativas de criminalização do movimento, destacando que a paralisação foi considerada legal pelo próprio poder judiciário. Os trabalhadores reafirmam que o direito constitucional à greve é a única ferramenta contra o arrocho salarial crônico.
A defasagem salarial e as reivindicações da categoria
A pauta de reivindicações dos rodoviários inclui piso de cinco mil reais para motoristas de articulados e quatro mil para os convencionais. A pauta exige ainda tíquete-alimentação de mil reais, plano de saúde, jornada de cinco por dois e fim do contrato temporário.
As propostas atuais oferecidas pelas empresas preveem reajustes irrisórios que não cobrem o custo de vida na metrópole. O aumento ofertado de cento e cinquenta reais para o condutor convencional mantém o salário-base abaixo das necessidades materiais básicas.
A mobilização desta terça-feira selará o rumo do transporte coletivo na cidade do Rio de Janeiro. A resolução do conflito depende da disposição do cartel empresarial em ceder às legítimas demandas de quem move a engrenagem urbana.
Fonte: Diariocarioca.
Leia também no Rio Carta:
- Eduardo Paes diz que crime organizado 'sentou no Palácio Guanabara' e promete unificar Segurança
- Eleições 2026 no RJ: dezesseis candidatos disputam duas vagas no Senado Federal
- Debate inaugural das eleições 2026 no RJ transmitido ao vivo pela Band e TEMPO REAL
- Datafolha: 28% dos eleitores do RJ avaliam positivamente governo de Ricardo Couto
Carregando comentários...