Transporte e Mobilidade

Greve de ônibus no Rio: 7 pontos para entender a paralisação dos rodoviários


A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro começou à meia-noite desta segunda-feira (29/06) e afetou a circulação de ônibus em toda a capital fluminense. Passageiros enfrentaram longas esperas nos pontos e dificuldade para chegar ao trabalho, a consultas, escolas e outros compromissos pela cidade.

As informações são da Exame.

Apesar de a Justiça do Trabalho ter determinado a operação mínima de parte da frota, o número de veículos nas ruas ficou abaixo do previsto nas primeiras horas da paralisação.

O primeiro dia de greve também foi marcado por relatos de vandalismo. O sindicato patronal Rio Ônibus afirmou que cerca de 40 coletivos foram depredados durante a madrugada.

Já o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros do Município do Rio de Janeiro (Sintrucad-Rio) reconhece quatro ocorrências e nega envolvimento dos rodoviários nos casos.

  1. Por que os rodoviários entraram em greve?

A paralisação ocorre após o fracasso das negociações salariais entre o Sintrucad-Rio e o Rio Ônibus, que representa as empresas do setor.

Os trabalhadores consideram insuficiente a proposta apresentada pelas empresas. A categoria também afirma que as condições de trabalho se deterioraram nos últimos anos, com salários defasados, problemas nos terminais e aumento da violência.

  1. Quando a greve começou e por quanto tempo deve durar?

A greve começou à meia-noite desta segunda-feira (29/06). O movimento foi aprovado em assembleia realizada no domingo (28/06).

A paralisação foi anunciada por tempo indeterminado. Até o momento, não há data definida para o encerramento da greve.

Uma audiência de conciliação entre trabalhadores e empresas está marcada para esta terça-feira (30/06), no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1). O encontro pode abrir caminho para um acordo e para o fim da paralisação.

  1. Quantos ônibus estão circulando?

O TRT-1 determinou que pelo menos 50% da frota opere nos horários de maior movimento e 25% nos demais períodos do dia.

Em caso de descumprimento, tanto o sindicato dos trabalhadores quanto o sindicato das empresas podem receber multa diária de R$ 50 mil.

Segundo o Rio Ônibus, entre 800 e 870 veículos estavam em circulação nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira. O número ficou abaixo dos cerca de 1.

800 ônibus que deveriam estar nas ruas para atender à determinação judicial.

  1. Quem está sendo afetado?

O impacto é sentido principalmente pelos usuários dos ônibus municipais e do sistema BRT, que atendem milhões de deslocamentos por dia na capital.

Moradores das zonas Norte e Oeste estão entre os mais afetados. Essas regiões têm maior dependência do transporte rodoviário e costumam sofrer mais quando há redução da frota.

  1. Quais alternativas de transporte estão disponíveis?

A Prefeitura do Rio informou que metrô, trens e barcas seguem operando normalmente e podem ser usados pelos passageiros durante a paralisação.

A MOBI-Rio, responsável pelo BRT, informou que o sistema operava com cerca de 68% da frota planejada para o período da manhã. Todas as estações permaneciam abertas.

  1. Quais são as reivindicações dos rodoviários?

Os rodoviários reivindicam mudança da data-base para 1º de março, salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e salário de R$ 4 mil para os demais motoristas.

A pauta também inclui fim dos contratos temporários e contratação via CLT para profissionais do BRT, vale-alimentação de R$ 1 mil, adoção da escala 5×2, manutenção do passe livre para a categoria, pagamento dos 30 minutos do intervalo de almoço, além de plano de saúde e plano odontológico.

  1. O que as empresas ofereceram?

Segundo o Sintrucad-Rio, a proposta patronal prevê reajuste de R$ 150,15 para motoristas de ônibus convencionais. Com isso, os salários passariam de R$ 3.

420,16 para R$ 3. 570,31.

Para motoristas de ônibus articulados da categoria E, o aumento seria de R$ 180,17, elevando a remuneração para R$ 4. 284,35.

O auxílio-alimentação subiria de R$ 660 para R$ 689. A categoria considera os valores insuficientes diante das reivindicações apresentadas.

A greve é legal?

O direito de greve está previsto no artigo 9º da Constituição Federal e é regulamentado pela Lei nº 7. 783/1989, conhecida como Lei de Greve.

No caso dos transportes coletivos, considerados serviço essencial, a paralisação pode ocorrer desde que sejam garantidos níveis mínimos de funcionamento para atender a população.

Quando não há acordo entre as partes, a definição desse percentual costuma ser feita pela Justiça do Trabalho.

No Rio, o TRT-1 reconheceu a legalidade do movimento, mas determinou a manutenção de parte da frota em circulação para preservar o direito de deslocamento da população.

Vai ter greve de ônibus amanhã no Rio de Janeiro?

O fim da greve ainda não foi anunciado. A audiência de conciliação marcada para terça-feira (30/06), no TRT-1, pode definir uma proposta de acordo entre trabalhadores e empresas.

Para acompanhar possíveis atualizações sobre a paralisação e a circulação dos ônibus, os passageiros podem consultar os canais oficiais do Centro de Operações Rio (COR), da Prefeitura do Rio e do Rio Ônibus.

Fonte: Diário do Rio.

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