Greve de ônibus no Rio: Rodoviários confirmam parada por tempo indeterminado a partir desta segunda, 29
Os motoristas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro confirmaram o início de uma greve por tempo indeterminado a partir da meia-noite desta segunda-feira, 29 de junho de 2026. A decisão foi consolidada após a assembleia geral convocada pelo Sindicato dos Rodoviários na sede da entidade, localizada em Rocha Miranda, na Zona Norte da capital.
O movimento ocorre em resposta direta ao travamento das negociações com o Rio Ônibus, a entidade que representa legalmente as empresas concessionárias de transporte coletivo municipal. De acordo com o presidente do sindicato dos trabalhadores, Sebastião José, a paralisação tornou-se uma medida inevitável após o setor patronal interromper os canais de diálogo bilateral.
Determinação Judicial de Frota Mínima
Diante da iminência da greve, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) emitiu uma decisão liminar estipulando regras estritas para mitigar o impacto na rotina dos cidadãos:
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Circulação Mínima: Pelo menos 50% da frota operacional de cada linha e itinerário deve permanecer ativa em todas as regiões atendidas pelos consórcios InterSul, InterNorte, TransCarioca e Santa Cruz.
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Penalidade Financeira: Foi estipulada uma multa diária fixada em R$ 50 mil para cada uma das entidades (Sindicato dos Rodoviários e Rio Ônibus) em caso de descumprimento da ordem judicial.
O Impasse Financeiro e as Reivindicações da Categoria
As divergências estruturais e econômicas entre motoristas e concessionárias continuam profundas. Os trabalhadores apontaram que a única proposta oficial apresentada pelo setor patronal até agora — uma reposição inflacionária de 4,39% baseada no IPCA acumulado até abril — é insuficiente para as demandas da categoria.
Visão das lideranças: “São mais de trinta anos cedendo aos argumentos do patronal, mas agora essa situação precisa e vai mudar”, declarou Sebastião José. Ele ressalta que os profissionais frequentemente cumprem jornadas reais que superam as 14 horas diárias, enfrentando violência urbana, assaltos e sequestros que impactam diretamente a saúde mental do trabalhador.
A pauta definitiva aprovada pela categoria também contempla a alteração da data-base trabalhista para o dia 1º de março, a contratação direta sob o regime da CLT de todos os profissionais operantes na Mobi-Rio (sistema BRT) visando extinguir os vínculos temporários de trabalho, a manutenção irrestrita do passe livre institucional, o pagamento indenizatório dos 30 minutos regulamentares de intervalo de almoço e a implementação de planos de assistência médica e odontológica coletivos.
Funcionamento do BRT e Impacto no Trânsito Carioca
A Prefeitura do Rio de Janeiro comunicou, por meio de notas oficiais, que o sistema de articulados BRT operará de forma normalizada nesta segunda-feira (29), com grade horária equivalente à de um dia útil convencional. A gestão municipal informou que acionou judicialmente pedidos de ampliação da frota mínima exigida para os ônibus comuns para reduzir o impacto aos passageiros.
O sindicato dos trabalhadores, por sua vez, contesta a capacidade de operação integral do sistema sob o cenário de greve generalizada.
A preocupação de mobilidade na cidade é intensificada devido ao fluxo urbano projetado para o fim do dia, uma vez que a rodada da Copa do Mundo de 2026 conta com a partida entre Brasil e Escócia agendada para as 19h, aumentando significativamente a concentração de público em pontos turísticos, polos gastronômicos e eixos viários principais da capital.
Fonte: Diariocarioca.
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