Política RJ

BRT prevê operação normal, mas sindicato mantém greve dos rodoviários no Rio


Mobi-Rio indica frota regular nos corredores do BRT; sindicato mantém convocação, inclusive com mensagem direcionada ao sistema, e decisão judicial noticiada determina circulação mínima de ônibus

O BRT Rio afirmou que deve operar normalmente nesta segunda-feira, 29, apesar da greve dos rodoviários marcada para a capital. Segundo publicação divulgada pelo sistema nas redes sociais, a operação será mantida em horário regulamentar e com frota normal nos corredores Transoeste, Transcarioca, Transolímpica e Transbrasil.

O posicionamento foi divulgado após circular a informação de que o BRT também poderia ser paralisado. Na publicação, o sistema afirma que a informação “não procede” e que não há previsão de interrupção ou adesão do BRT ao movimento de greve.

Do outro lado, o Sindicato dos Rodoviários mantém a convocação da paralisação para esta segunda-feira. Em publicação sobre a greve, a entidade confirma o movimento da categoria.

Em outra postagem, direcionada especificamente ao BRT, o sindicato afirma: “BRT: chegou a hora de acertarmos nossas contas”, critica contratos temporários, cobra contratação pela CLT e salário justo. A publicação termina com a frase: “Dia 29, é greve”.

A divergência entre o posicionamento do BRT e a mobilização sindical torna o cenário menos pacificado para os passageiros. A Mobi-Rio afirma que o sistema funcionará normalmente, enquanto o sindicato mantém a greve e inclui o BRT no discurso de mobilização da categoria.

A paralisação já havia sido informada em matéria anterior do O Fluminense. Na ocasião, os rodoviários confirmaram greve por tempo indeterminado a partir da meia-noite desta segunda-feira, após rejeitarem a proposta de reajuste salarial de 4,39% apresentada pelo Rio Ônibus.

O alerta inicial era de que a paralisação poderia afetar ônibus convencionais e BRT.

Além das publicações nas redes sociais, o sindicato divulgou carta aberta à população, às autoridades e aos rodoviários do município do Rio de Janeiro. No documento, a entidade afirma que empresários, Prefeitura e Justiça não responderam às reivindicações da categoria.

O texto sustenta que a mobilização envolve recomposição salarial, auxílio-alimentação, valorização profissional, melhores condições de trabalho e segurança para passageiros, pedestres e trabalhadores.

A carta também reconhece que uma paralisação pode causar transtornos à rotina dos cariocas, mas afirma que a greve seria o caminho encontrado pela categoria para pressionar empresas e poder público. A entidade pede apoio e compreensão da população.

A disputa ganhou ainda um componente judicial. A Justiça do Trabalho determinou a manutenção de 50% da frota de ônibus durante a greve dos rodoviários, sob pena de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

A decisão é atribuída à desembargadora Maria Helena Motta, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.

Ainda segundo a publicação, a proposta sindical de manter 30% da frota nos horários de pico e 15% nos demais períodos teria sido considerada insuficiente diante da dimensão territorial e populacional da cidade. Até a última checagem, a reportagem não localizou nota oficial pública do TRT-1 com o inteiro teor da decisão.

Por isso, a informação judicial é tratada com base no que foi noticiado por veículos locais.

As reivindicações da categoria também incluem pontos específicos relacionados ao BRT. Reportagens de veículos locais apontam pedidos como fim dos contratos temporários, contratação via CLT para profissionais do sistema, jornada 5×2, manutenção do passe livre, plano de saúde, plano odontológico, tíquete-alimentação e reajustes salariais para motoristas.

O impasse não é recente. Em publicação anterior no site do Sindicato dos Rodoviários, a entidade já relatava estado de greve, cobrança de mediação pelo TRT-RJ e queixas sobre descumprimento de pontos da Convenção Coletiva de Trabalho.

O registro é de disputa anterior, mas ajuda a contextualizar que a tensão entre rodoviários e empresas não começou nesta semana.

Para o passageiro, o quadro exige atenção. Há três informações simultâneas: o BRT/Mobi-Rio afirma que vai operar normalmente, o sindicato mantém a greve e mobiliza também trabalhadores ligados ao BRT, e decisão judicial noticiada determina circulação mínima de parte da frota de ônibus.

A recomendação é acompanhar os canais oficiais antes de sair de casa, especialmente nas primeiras horas da manhã. Mesmo que o BRT mantenha a programação anunciada, a eventual redução dos ônibus convencionais pode aumentar a demanda sobre estações, terminais, integrações, metrô, trens, barcas e transporte por aplicativo.

Passageiros devem consultar aplicativos de mobilidade, verificar a situação das linhas, acompanhar comunicados da Mobi-Rio, da Prefeitura do Rio, do Centro de Operações Rio, do sindicato e das empresas responsáveis pelo transporte coletivo. Quem tiver compromisso inadiável no início da manhã deve considerar sair mais cedo e planejar rotas alternativas.

Fonte: O Fluminense.

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