Cocaína no mar do Rio contamina tubarões e raias
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Cocaína no mar do Rio contamina tubarões e raias


Nem a imensidão do Atlântico tem conseguido diluir o volume de cocaína, medicamentos e inseticidas que chega ao mar pelo esgoto no Rio de Janeiro. Um estudo recém-publicado mostra que tubarões e raias da costa carioca já apresentam sinais de contaminação por substâncias consumidas por humanos.

A pesquisa encontrou cocaína e benzoilecgonina, substância derivada da cocaína, além de diclofenaco, piroxicam, sulfametoxazol e fipronil em animais jovens. Os compostos incluem anti-inflamatórios, antibiótico e inseticida.

O alerta vai além da poluição marinha. Para os pesquisadores, a presença dessas substâncias nos peixes indica que uma quantidade enorme de drogas, lícitas e ilícitas, está sendo lançada no ambiente.

Parte delas é expelida pela urina, segue para rios, redes de esgoto e emissários submarinos e termina no oceano.

“Para haver contaminação é preciso haver um consumo gigantesco dessas substâncias”, afirmou Rachel Ann Hauser-Davis, bióloga do Laboratório de Avaliação e Promoção de Saúde Ambiental do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e primeira autora do estudo.

Animais jovens já aparecem contaminados

Os cientistas analisaram músculos, fígado e cérebro de raias-borboleta (Gymnura altavela) e tubarões-martelo (Sphyrna lewini) doados por pescadores artesanais do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.

O número de amostras foi pequeno, sete no total. Ainda assim, a detecção dos contaminantes em animais jovens chamou a atenção dos pesquisadores.

Para eles, o resultado indica exposição recente ou contínua.

“Se está nos bichos é porque a quantidade dessas drogas no ambiente é brutal. Ela não é medida, deveria ser investigada”, disse Marcelo Vianna, coautor do artigo e pesquisador do Laboratório de Biologia e Tecnologia Pesqueira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Museu Aquário Marinho do Rio de Janeiro (Imam/AquaRio).

A cocaína já havia sido encontrada em tubarões no Rio. Em 2024, um estudo de Enrico Saggioro, Rachel Ann Hauser-Davis, Marcelo Vianna e outros pesquisadores detectou a droga em tubarões-de-bico-fino (Rhizoprionodon lalandii) também no Recreio dos Bandeirantes.

Neste mês, outro grupo da UFRJ identificou sertralina, um antidepressivo comum, no cérebro de tubarões do litoral fluminense. A sequência de descobertas reforça a preocupação com contaminantes que não costumam aparecer nos monitoramentos tradicionais.

“Há muito esgoto e lixo no mar. O nível de poluição é grande e nem sempre é visível ou detectável por métodos tradicionais, que não monitoram nem eliminam, por exemplo, medicamentos.

Os animais ficam expostos a isso todo o tempo. Choca, mas não surpreende encontrar esse tipo de contaminação”, afirmou Rachel Ann Hauser-Davis.

Cocaína em concentração alta indica exposição constante

Fonte: Diário do Rio.

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