PF investiga emenda de Flávio Bolsonaro a ONG dos Brazão, acusados de mandar matar Marielle Franco
A Polícia Federal instaurou um procedimento investigativo para mapear a rota financeira de uma emenda parlamentar no valor de R$ 199 mil destinada pelo senador Flávio Bolsonaro. O montante foi enviado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), uma organização não governamental sediada na Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
A apuração busca determinar se o repasse de verba pública foi utilizado como mecanismo de desvio de receita ou para a consolidação de fraudes estruturadas por agentes políticos fluminenses.
O elo técnico e o monitoramento da PF
O rastreamento da transação financeira ganhou tração após a quebra do sigilo telefônico de Robson Calixto Fonseca, conhecido no submundo do crime organizado como “Peixe”. O policial militar da reserva, condenado por integrar a estrutura criminosa que vitimou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, atuava como assessor no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Os relatórios de inteligência da corporação apontam que o operador utilizava o trânsito institucional para capturar recursos federais e estaduais. Mensagens interceptadas revelam que o primeiro contato com o gabinete do senador ocorreu em 24 de outubro de 2023, antecedendo a liberação da verba em 29 de novembro do mesmo ano.
A engrenagem de repasses de emendas para o ecossistema de entidades sob influência desse grupo político movimentou cifras bilionárias nos últimos anos. Planilhas de auditoria indicam um fluxo financeiro que alimentava despesas totalmente incompatíveis com a atividade filantrópica regulamentar.
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Volume monitorado: Levantamentos apontam que o conjunto de entidades suspeitas recebeu R$ 268 milhões em emendas entre os anos de 2020 e 2024.
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Pedidos extravagantes: As conversas revelam cobranças internas que variam de bicicletas a insumos complexos, como o aluguel de um helicóptero.
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Vantagens e depósitos: A corporação localizou ordens de transferências bancárias na ordem de R$ 100 mil direcionadas a contas de familiares do operador.
Conexões políticas na Zona Oeste
A organização não governamental beneficiada possui histórico de alinhamento com o clã liderado por Chiquinho Brazão e Domingos Brazão. A entidade já havia sido alvo de homenagens formais na Câmara Municipal do Rio de Janeiro por iniciativa de Waldir Brazão, além de ter sido contemplada com outra emenda de R$ 1,5 milhão assinada por Chiquinho em agosto de 2024.
Fluxo de Liberação e Histórico Institucional
Manifestações das partes citadas
A assessoria do senador Flávio Bolsonaro alegou, por meio de nota técnica, que a indicação da verba impositiva seguiu critérios de assistência social para áreas de vulnerabilidade, ressaltando que não cabe ao parlamentar fiscalizar a execução física do contrato na ponta.
A diretoria do Ifop negou qualquer subordinação a “Peixe” ou aos irmãos Brazão, afirmando que as prestações de contas estão regulares e que valores sobressalentes foram integralmente devolvidos ao Tesouro. As defesas dos irmãos Brazão e do ex-assessor do TCE-RJ optaram por não se manifestar sobre os dados do inquérito.
Fonte: Diariocarioca.
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