A Polícia Federal removeu a última camada de verniz que ainda restava sobre a imagem de Daniel Vorcaro. Documentos da Sexta Fase da Operação Compliance Zero revelam uma simbiose sombria entre a alta finança e o submundo do Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, o banqueiro mantinha sob sua folha de pagamento operadores do jogo do bicho e policiais — da ativa e aposentados — para realizar serviços de “inteligência paralela” e coerção.
O grupo, autointitulado “A Turma”, funcionava como um braço armado e para-estatal a serviço dos interesses da família Vorcaro. O relatório da PF descreve uma estrutura de métodos mafiosos, incluindo ameaças diretas, monitoramento ilegal e obtenção de dados sigilosos para sufocar quem ousasse questionar as transações do Banco Master.
O empresário do jogo e o braço armado
No epicentro dessa engrenagem está Manoel Mendes Rodrigues, identificado pela corporação como o elo entre o asfalto e a contravenção fluminense. Rodrigues, descrito como um influente “empresário do jogo”, era o responsável por coordenar a logística de intimidação.
A gravidade do caso escalou com a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, capturado nesta nova etapa da operação. A PF sustenta que a família não apenas financiava a estrutura, mas participava ativamente da indicação de alvos, transformando a disputa de mercado em um campo de batalha marcado pelo medo.
Estrutura e Operação da “Turma”
Conexão com o Poder e Desdobramentos
A revelação de que o “banqueiro da direita” utilizava métodos típicos de milícias e bicheiros coloca um peso insustentável sobre seus aliados políticos. A PF aponta que a obtenção de informações sigilosas não se limitava a adversários comerciais, mas incluía o monitoramento de agentes públicos e jornalistas que investigavam o banco.
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Modus Operandi: Uso de sistemas restritos de segurança pública para dossiês ilegais.
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Intimidação: Relatos de visitas presenciais de “policiais” a residências de desafetos.
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O Próximo Passo: A Compliance Zero agora mira a lavagem do dinheiro proveniente da contravenção dentro das contas do próprio banco.
O cenário é de terra arrasada para a defesa dos Vorcaro. Se antes o embate era restrito ao campo dos crimes financeiros, a entrada de elementos do crime organizado e da violência física na equação eleva o processo ao patamar de segurança nacional.
Com o pai preso e o elo com o jogo do bicho exposto, o castelo de cartas de Daniel Vorcaro parece, finalmente, ter desmoronado sob o peso da própria truculência.
Fonte: Diariocarioca.
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