Diana Conrado Cidade do Rio não está preparada para mudanças climáticas
Rio de Janeiro

Diana Conrado Cidade do Rio não está preparada para mudanças climáticas


Advogada da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB-RJ, Diana Conrado mostra como a prefeitura do Rio não está preparada para impedir que os cariocas mais pobres sofram com o aquecimento global

Por Diana Conrado

Nesta segunda-feira (13/11), a cidade do Rio de Janeiro alcançou temperaturas estelares, com sensação térmica superior a 52° graus. Esse é um fator que assola à sociedade Fluminense como um todo, contudo, é necessário destacar que o calor afeta diretamente a população mais pobre e periférica. Isso é o que chamamos de racismo ambiental.

De acordo com a imprensa, a comunidade da Rocinha passou a noite da segunda-feira sem fornecimento de energia elétrica, justificada pela Light por sobrecarga em razão dos “gatos” na comunidade.

No entanto, é inaceitável que não seja garantida, à população trabalhadora e periférica, a dignidade humana em seus direitos mais básicos – destaque-se que acesso a água e energia elétrica são direitos básicos necessários à sobrevivência da população.

Não pode ser normalizado, portanto, principalmente no cenário climático que a cidade do Rio de Janeiro apresenta, que alguns estejam no conforto de seus ar-condicionados, enquanto a outros falta o mínimo (água e energia). Isso porque, além do calor e da impossibilidade de ligar um ventilador, a falta de energia pode causar a perda de alimentos e a impossibilidade de preparar alimento e ter água gelada, dentre outras dificuldades que afetam o cotidiano.

Mas não é só isso. Um levantamento recente mostrou que 43% das escolas municipais no Rio não têm climatização adequada. Isso significa que essas escolas não possuem ar-condicionado nas salas de aula ou tem equipamentos sucateados. No transporte público o caos é o mesmo com denúncias constantes de que os ônibus cariocas circulam sem ar-condicionado.

A ciência já mostrou com algum grau de consenso que nos próximos anos o aquecimento global infligirá consequências ainda mais graves para a saúde humana. E a ciência também já comprovou a injustiça climática, pois os mais pobres são os mais afetados por esse processo de desenvolvimento insustentável.

É papel do Poder Público monitorar a prestação de serviços das concessionárias de água e energia, a fim de que toda população Fluminense seja equitativamente assistida. No caso da prefeitura do Rio, é preciso que haja uma decisão política para garantir que as escolas municipais e os ônibus da cidade ofereçam um mínimo de qualidade para nossas crianças e trabalhadores mais pauperizados. Infelizmente, essa não parece ser a agenda da atual gestão da prefeitura do Rio.

Diana Conrado é advogada, atua na Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB-RJ.

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