Pórtico de entrada de Belford Roxo — Foto: Marcos Paulo Ribeiro Lopes, Comunicação Belford Roxo, Wikimedia Commons, CC BY 3.0
Há um número em Belford Roxo que resume a eleição de 2026 no Rio melhor do que qualquer pesquisa: 133.956. É a quantidade de votos nominais que Márcio Canella (União) recebeu na cidade para a Assembleia Legislativa.
Mais do que recebeu o próprio Douglas Ruas (PL) para governador no mesmo pleito, na mesma cidade: 130.293.
Um deputado estadual ultrapassando o governador eleito no voto nominal do seu território é raridade em qualquer estado do Brasil. Em Belford Roxo, foi o desenho da eleição — o eleitor foi à urna votar primeiro em quem conhece, e o majoritário veio por tabela. Igo Menezes (PT), segundo na disputa estadual na cidade, ficou com 6.197: Canella teve 21 vezes mais.
A tabela, aliás, não foi pequena para ninguém. Ruas fechou a cidade com 60,42% dos válidos contra 35,56% de Eduardo Paes (PSD) — o terceiro maior colchão do estado, 53.617 votos de vantagem que ajudaram a compensar a derrota na capital e a eleger o PL no 1º turno, depois que o TSE anulou os 274.411 votos de Garotinho na quinta-feira (8).
Para a Câmara Federal, o dono do voto local tem sobrenome parecido: Rueda (União), com 93.874 nominais — o maior voto federal da cidade, à frente de Daniela do Waguinho (Republicanos, 8.809) e Dr. Flávio (PL, 5.703). O arquivo oficial ainda não marca os eleitos por cadeira; os números são os votos nominais válidos na cidade.
Dos 346.129 eleitores aptos, 22,83% não compareceram — abaixo da média estadual de 23,33%.
Dados: votação nominal por município e zona e detalhe por zona, TSE, arquivo de 08/10/2026.
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