Olimpiadas

Rio celebra 10 anos da Olimpíada com legado de R$ 99 bi e novos investimentos


A cidade do Rio de Janeiro celebra nesta quarta-feira (05/08) os dez anos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. A data marca não apenas a memória do evento, mas a consolidação de um legado que segue em expansão, segundo balanço divulgado pela prefeitura.rio.

O prefeito Eduardo Cavaliere inaugurou, no Museu do Amanhã, a exposição ‘O Amanhã Olímpico: Legado e Futuro’, além de duas esculturas no lado externo do local. Na ocasião, ele destacou que o legado olímpico está vivo no dia a dia dos cariocas.

‘Estamos falando do BRT, do Terminal Gentileza, de quatro ginásios educacionais tecnológicos feitos a partir das Arenas do Futuro. Isso tudo foi fruto de muito planejamento e de uma decisão do Rio e do Brasil de fazer da cidade um lugar preparado para grandes eventos’, afirmou Cavaliere.

Impacto econômico bilionário

De acordo com a prefeitura.rio, os Jogos de 2016 geraram um impacto de R$ 99 bilhões sobre o Valor Bruto da Produção (VBP), segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado em 2024. Desse total, R$ 51,2 bilhões incidiram sobre o PIB, R$ 5,3 bilhões em arrecadação de impostos e R$ 36,2 bilhões sobre a renda das famílias.

Foram criados mais de 465,4 mil empregos na cidade e outros 167,8 mil no restante do estado. A renda gerada para as famílias cariocas somou R$ 36,16 bilhões, enquanto as demais famílias do estado receberam R$ 13 bilhões.

A prefeitura também destacou que 70% do investimento para organizar os Jogos veio de recursos privados, e 63% do total destinado pelo poder público foi aplicado em projetos de legado.

Transformação urbana e mobilidade

A revitalização da Zona Portuária, com a requalificação de cinco milhões de metros quadrados, é um dos símbolos da transformação. A derrubada da Perimetral permitiu a implantação do VLT, da Orla Conde, do Museu do Amanhã e do Museu de Arte do Rio, além da recuperação do Cais Valongo.

A parcela da população usuária de transporte público de média capacidade saltou de 18% antes dos Jogos para 65%. Somente o BRT já transportou 1,4 bilhão de passageiros, e atualmente 615 mil passageiros utilizam o modal diariamente.

O Centro de Operações e Resiliência (COR), primeiro equipamento inaugurado para os Jogos, em 31 de dezembro de 2010, passou por expansão em 2022. Agora conta com 1.582 m², três andares, sala de operações ampliada para 446 m² e um vídeo wall de 104 m², com 125 telas de 55 polegadas, o maior da América Latina. As estações de trabalho passaram de 75 para 115 posições.

Educação e novos legados

Na área de educação, os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs) seguem a abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). Até o fim do ano, serão 350 unidades na cidade. O modelo nasceu inspirado nos Ginásios Educacionais Olímpicos (GEOs).

A Zona Portuária também recebeu o Porto Maravalley, hub de tecnologia com cerca de 10 mil metros quadrados, que divide espaço com o IMPA Tech, primeira graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).

Na habitação, já foram aprovadas 12 mil unidades habitacionais na região portuária, com 3.385 entregues. A estimativa é de que até 2030 a área receba 30 mil novos moradores.

Transporte e áreas verdes

Em 2025, a prefeitura iniciou a renovação da frota de ônibus e lançou o Sistema RIO – Rede Integrada de Ônibus. Em Campo Grande e Santa Cruz, o número de ônibus saltará de 95 e 67 para 152 e 216, respectivamente. Os novos veículos terão ar-condicionado e baixa emissão de poluentes.

A política de grandes parques, iniciada com o Parque Madureira, ganhou reforço desde 2024: foram inaugurados cinco novos parques – Realengo, Pavuna, Rita Lee, Oeste e Piedade – totalizando 500 mil metros quadrados de áreas verdes.

Turismo em alta

Em 2025, o Rio recebeu 12,5 milhões de turistas, sendo 10,5 milhões (83,1%) de visitantes nacionais e 2,1 milhões (16,9%) de estrangeiros. O número de turistas internacionais cresceu 44,8% no ano passado. O resgate do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) foi fundamental para esses resultados.

Cavaliere reforçou o compromisso com o esporte: ‘Essa conquista não foi só da cidade, foi do Brasil. Mostramos que um país em desenvolvimento pode sediar todas as modalidades, com arquitetura nômade e eficiência de recursos públicos. Hoje celebramos os 10 anos e renovamos o compromisso de defender o esporte brasileiro’.

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