Foto: Chensiyuan / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
O edifício Saudosa Praça Onze Residencial, primeiro lançamento da nova fase de revitalização da Praça Onze, no Centro do Rio, chega com 495 unidades, rooftop social e espaço fitness. Desenvolvido pela Cury Construtora, o empreendimento será erguido às margens da Avenida Presidente Vargas, ao lado do Sambódromo da Marquês de Sapucaí, em terreno entre Cidade Nova e Centro.
Apesar de ocupar uma área histórica da cidade, berço do samba e ponto central da cultura negra carioca, o projeto surge com foco claro no aluguel por temporada, ampliando ainda mais a presença do modelo de Airbnb em uma região já pressionada pelo turismo e especulação imobiliária.
As unidades, que variam de 31 m² a 49 m², não terão vagas de automóveis, priorizando bicicletas com cerca de 500 vagas disponibilizadas, mas a decisão também facilita o uso das propriedades para locação temporária, sem necessidade de infraestrutura para moradores permanentes. O rooftop social, piscinas, playground e pet place reforçam a ideia de condomínio de lazer, mais voltado ao público de curto prazo do que à comunidade local.
Segundo Leonardo Mesquita, CEO da Cury, o Centro do Rio representa hoje uma frente estratégica de crescimento urbano e investimento imobiliário. “O projeto antecipa intervenções urbanas previstas, como a demolição do Elevado 31 de Março e a criação de novos núcleos de moradia, comércio e convivência”, afirma.
No entanto, especialistas em urbanismo alertam que a prioridade dada ao mercado de aluguel temporário pode acelerar o processo de gentrificação, dificultando a permanência de moradores históricos e mudando o perfil social da região.
A Praça Onze, antiga referência da cultura carioca e berço do samba, foi apagada do mapa na década de 1940 durante a abertura da Avenida Presidente Vargas. O novo empreendimento resgata o nome e a memória afetiva, mas, para muitos críticos, o projeto representa mais um passo na transformação do bairro em espaço voltado a turismo e consumo do que à preservação da vida comunitária.
Enquanto a cidade comemora a reocupação de uma área histórica, resta a reflexão sobre quem realmente se beneficia dessas novas moradias e como os moradores antigos serão afetados pelo crescimento do aluguel por temporada e a valorização imobiliária intensa.
Fonte: Diariodoporto.
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