Flávio Bolsonaro aciona TSE para tentar barrar pesquisa que aponta queda nas intenções de voto
A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a suspensão da divulgação de uma pesquisa Atlas/Bloomberg que aponta queda nas intenções de voto do parlamentar em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o levantamento, Lula venceria Flávio Bolsonaro por 48,9% a 41,8%, resultado que representa uma retração de seis pontos percentuais para o senador em comparação com cenários anteriores. A pesquisa ouviu 5.
032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio e foi registrada no TSE sob o número BR-06939/2026, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Campanha aponta suposta indução no questionário
Na representação encaminhada ao TSE, a defesa da pré-campanha sustenta que o questionário foi “estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”, informa a Folha de
S. Paulo.
O grupo político também argumenta que houve associação indevida entre o senador, o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
De acordo com a ação, a metodologia do levantamento teria ultrapassado o objetivo de medir a opinião pública e passado a influenciar os entrevistados. A campanha afirmou que a pesquisa “revela precedente manipulativo grave e deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação pública”.
O pedido também inclui a apuração de eventual crime eleitoral relacionado à elaboração e divulgação da pesquisa.
Áudios e filme “Dark Horse” entraram no levantamento
A ofensiva judicial ocorre após a divulgação de mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, episódio que provocou desgaste na pré-campanha do senador. O parlamentar afirma que o contato tinha como objetivo discutir apoio financeiro privado para o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O conteúdo do questionário disponibilizado no TSE mostra que os entrevistados foram submetidos a 48 perguntas, sendo nove relacionadas ao caso envolvendo as conversas entre Flávio e Vorcaro. As questões sobre intenção de voto, porém, apareceram no início da pesquisa, antes do bloco referente ao episódio.
Entre as perguntas aplicadas aos eleitores estavam questionamentos sobre conhecimento do áudio vazado, grau de surpresa com as mensagens e avaliação das conversas. Algumas alternativas apresentadas aos entrevistados classificavam o episódio desde “uma tentativa legítima de conseguir apoio financeiro” até “evidências de envolvimento direto de Flávio Bolsonaro com o escândalo do Banco Master”.
Vídeo com áudio foi exibido aos entrevistados
Na etapa final da pesquisa, os participantes assistiram a um vídeo com imagens de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro acompanhadas de um áudio enviado pelo senador ao banqueiro em setembro do ano passado. Após assistir ao material, os entrevistados deveriam posicionar sua avaliação em uma escala que variava de “terrível” a “excelente”.
Antes da exibição do vídeo, também foi apresentada uma pergunta sobre qual grupo político estaria mais envolvido no suposto esquema de fraudes financeiras ligado ao Banco Master.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro argumenta que a combinação desses elementos comprometeu a neutralidade do levantamento e contaminou as respostas dos eleitores sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral do senador.
Fonte: Agenda do Poder.
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