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Ex-mercenário da guerra na Ucrânia treina traficantes do Comando Vermelho para uso de drones no transporte de fuzis no Rio


A Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro identificou que integrantes do Comando Vermelho (CV) estão recebendo treinamento especializado para operar drones de grande porte utilizados no transporte de armas, drogas e cargas entre comunidades dominadas pela facção criminosa.

Segundo as investigações, o responsável pelas instruções seria um brasileiro que atuou como voluntário na guerra da Ucrânia contra a Rússia e retornou recentemente ao estado. De acordo com os agentes, ele passou cerca de um ano em áreas de combate e agora repassa aos traficantes técnicas militares aprendidas durante o conflito europeu.

Os investigadores afirmam que os criminosos vêm utilizando drones originalmente destinados à agricultura e ao transporte de cargas. Os equipamentos têm capacidade para carregar até 80 quilos e autonomia de voo de aproximadamente 12 quilômetros.

Cada aeronave pode custar mais de R$ 200 mil.

Treinamento foi flagrado no Complexo do Alemão (foto acima)

A descoberta ocorreu após policiais militares monitorarem uma movimentação suspeita no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Imagens captadas por uma aeronave da corporação mostraram um drone de grande porte, com cerca de três metros de comprimento, cercado por ao menos dez pessoas antes da decolagem.

De acordo com a polícia, os equipamentos podem transportar o equivalente a cerca de 20 fuzis dos modelos FAL ou AR-15 entre diferentes comunidades controladas pela facção criminosa.

As autoridades acreditam que os treinamentos aconteçam em áreas do Complexo do Alemão e também no Complexo da Penha, regiões apontadas como esconderijos de importantes lideranças do Comando Vermelho.

Ex-combatente teria presenteado chefe do CV

As investigações apontam ainda que o ex-combatente teria presenteado Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca e apontado como integrante da cúpula do Comando Vermelho, com uma placa balística utilizada por ele durante o período em que esteve na guerra no Leste Europeu.

Além de Doca, a polícia acredita que outros nomes importantes da facção estejam escondidos nas comunidades monitoradas. Entre eles estão Carlos da Costa Neves, o Gardenal, identificado como responsável pela expansão territorial do tráfico em Jacarepaguá; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, apontado como gerente-geral do tráfico; e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os quatro traficantes acumulam juntos 82 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Uso de drones pelo tráfico já vinha sendo monitorado

As forças de segurança do Rio já acompanhavam o avanço do uso de drones por organizações criminosas nos últimos anos. Em setembro de 2024, o então cabo da Marinha Rian Maurício Tavares foi preso pela Polícia Federal suspeito de operar drones para o Comando Vermelho.

As investigações da época apontaram que uma aeronave não tripulada chegou a lançar granadas na Gardênia Azul, em Jacarepaguá, quando a região ainda era controlada por milicianos.

A Marinha informou posteriormente que o militar foi desligado da corporação “a bem da disciplina” em fevereiro de 2025. Atualmente, ele está detido na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.

Polícia Civil criou coordenadoria especializada

Em maio deste ano, a Polícia Civil anunciou a criação da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant), setor responsável por organizar o uso de drones em investigações, operações de inteligência e ações policiais no estado.

Entre os equipamentos adquiridos pela corporação estão drones com sensores térmicos, câmeras com reconhecimento facial, leitura automática de placas e aeronaves preparadas para voos noturnos e monitoramento em tempo real.

A medida faz parte da estratégia das forças de segurança para enfrentar o avanço tecnológico das organizações criminosas no Rio de Janeiro.

Fonte: Agenda do Poder.

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