Educação

Pequena e ameaçada, nova espécie de marsupial é identificada no Rio


A Mata Atlântica fluminense acaba de revelar uma nova espécie de mamífero. Mesmo em uma das regiões mais povoadas e estudadas do país, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram um pequeno marsupial até então desconhecido pela ciência: a cuíca-de-três-listras-do-Rio de Janeiro, de nome científico Monodelphis semilineata.

A descoberta foi publicada na revista científica internacional Journal of Mammalogy. O estudo foi conduzido pelas mestrandas Isabelle Chagas Vilela Borges e Carina Azevedo Oliveira Silva, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação (PPG-CiAC/UFRJ), sob orientação do professor Pablo Rodrigues Gonçalves.

Pequena, insetívora e rara, a nova espécie pesa apenas algumas dezenas de gramas. O animal tem olhos pequenos, focinho pontudo e se alimenta sobretudo de insetos.

Ele foi encontrado em fragmentos remanescentes de Mata Atlântica na Baixada Litorânea e no Litoral Norte do estado do Rio de Janeiro.

Cuíca “meio-listrada”

O nome semilineata significa “meio-listrada”. Segundo Isabelle Borges, autora principal do artigo, a espécie recebeu esse nome por causa de uma característica nas costas: a listra preta central é mais curta do que a de parentes próximos e desaparece antes de chegar ao focinho.

Essa diferença visual ajudou os pesquisadores a separar a nova espécie de sua parente evolutiva mais próxima, a Monodelphis iheringi, que também pode ocorrer em áreas do Rio. Diferenças na dentição e no crânio também foram importantes para confirmar a identificação.

As análises genéticas indicam que a Monodelphis semilineata surgiu no Pleistoceno, há cerca de 1,78 milhão de anos. Para os pesquisadores, a descoberta ajuda a entender melhor a história evolutiva das planícies costeiras fluminenses.

De acordo com o professor Pablo Gonçalves, a origem da espécie coincide com a de outros mamíferos ameaçados das planícies costeiras, como o mico-leão-dourado e a preguiça-de-coleira-do-Sudeste. “Isso reforça a ideia de que estas planícies funcionaram como um ‘berçário’ evolutivo único no passado”, destacou.

Espécie já nasce sob alerta

A descoberta também acende um alerta para a conservação. Segundo a pesquisadora Carina Silva, ainda não há registros da nova espécie dentro de unidades de conservação de proteção integral, como parques e reservas.

Isso torna a cuíca-de-três-listras-do-Rio de Janeiro mais vulnerável. Os fragmentos florestais onde o animal vive ficam próximos a grandes empreendimentos industriais, como o Terminal Cabiúnas de Óleo e Gás, e a rodovias de tráfego intenso, como a BR-101.

Para os pesquisadores, encontrar uma espécie nova de mamífero em um estado com tantos estudos mostra que a biodiversidade da Mata Atlântica ainda guarda lacunas importantes. Também reforça a necessidade de proteger os últimos fragmentos florestais do Rio de Janeiro, antes que espécies raras desapareçam sem sequer serem conhecidas.

Com informações da CNN

Fonte: Diário do Rio.

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