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Noca da Portela, referência histórica do samba carioca, morre aos 93 anos


O samba brasileiro perdeu neste domingo um de seus nomes mais emblemáticos. O cantor, compositor e instrumentista Noca da Portela morreu aos 93 anos, conforme informou a escola de samba Portela.

Ao lamentar a morte do artista, a Portela definiu Noca como “um dos grandes nomes da nossa história” e ressaltou a importância de sua trajetória para o samba e para o Carnaval do Rio de Janeiro. O sambista, cujo nome de batismo era Osvaldo Alves Pereira, construiu uma carreira marcada por composições memoráveis e participação ativa na história da azul e branco de Madureira.

Segundo a escola, Noca chegou à Portela na década de 1960 levado por Paulinho da Viola. Na agremiação, integrou o tradicional Trio ABC da Portela ao lado de Picolino e Colombo, tornando-se uma figura central na produção musical da escola.

Entre suas obras mais conhecidas está “Portela Querida”, eternizada na voz de Elza Soares.

Trajetória marcada por vitórias históricas

Ao longo de sua trajetória na Majestade do Samba, Noca acumulou sete vitórias em disputas de samba-enredo, consolidando-se como um dos maiores vencedores da história da escola. Entre os sambas campeões assinados por ele estão “Recordar é viver”, de 1985, “Gosto que me enrosco”, de 1995, “Os olhos da noite”, de 1998, e “ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal”, apresentado no Carnaval de 2015.

Outro marco importante de sua carreira foi a participação na criação do samba-enredo “O Homem de Pacoval”, apresentado pela Portela em 1976. Sua obra atravessou gerações e ajudou a moldar a identidade musical da escola ao longo de décadas.

Integrante da Velha Guarda Show da Portela, Noca também era reconhecido pelo vasto repertório de composições. Dono de centenas de sambas, tornou-se uma personalidade respeitada entre músicos, compositores e sambistas de diferentes gerações, sendo frequentemente reverenciado como um guardião da tradição do samba carioca.

Homenagens e despedidas

Na nota oficial publicada nas redes sociais, a Portela manifestou solidariedade aos familiares, amigos, parceiros musicais e admiradores do artista. A escola destacou ainda que o sambista “deixa um legado de amor à música popular brasileira, ao samba e à nossa Majestade”.

A morte de Noca provocou uma onda de homenagens entre artistas e fãs. A cantora Roberta Sá comentou na publicação da escola: “Que tristeza!

Obrigada, mestre”. Já Andrezinho, conhecido por integrar o grupo Molejo, lamentou a perda do sambista.

“Nossos ídolos estão indo embora… notícia triste. Meus sentimentos aos familiares e a todos”, escreveu.

Com a morte de Noca da Portela, o samba brasileiro se despede de um de seus mais importantes representantes, responsável por ajudar a preservar e fortalecer a tradição das escolas de samba ao longo de mais de meio século de carreira.

Fonte: Agenda do Poder.

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