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A fábrica de conselheiros: o plano de Amorim na Alerj


A articulação da bancada de direita na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) operou em ritmo de rolo compressor nesta terça-feira (19 de maio de 2026) para carimbar a reforma do regimento interno da Casa.

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Sob o comando dos principais caciques do PL, o bloco governista desenhou uma manobra técnica cirúrgica para encurtar os prazos de tramitação e sabatinas, abrindo uma via rápida para o preenchimento de vagas estratégicas no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). A oposição, liderada pelo Psol, reagiu com o protocolo de 31 emendas de obstrução, denunciando que a base governista está descaradamente “legislando em causa própria”.

A urgência dos deputados conservadores visa capturar o controle do órgão fiscalizador e assegurar salários vitalícios de R$ 50 mil para o próprio núcleo político.

O rito expresso projetado pelo PL

A gênese da mudança regimental está diretamente ligada ao apetite da base do ex-governor Cláudio Castro por blindagem jurídica e espaços de poder de longo prazo. A engenharia desenhada pela direita extingue os tradicionais 20 dias regulamentares para a análise e sabatina de indicados ao TCE e agências reguladoras, reduzindo a janela de avaliação para escassas 48 horas.

A estratégia da liderança governista consiste em trocar dias úteis por dias corridos e fixar prazos em horas, o que permite que o relógio continue correndo durante fins de semana e feriados com as galerias e gabinetes vazios.

A deputada Renata Souza (Psol) apontou o dedo para o centro do plenário, afirmando que a bancada majoritária usa a força dos votos para asfixiar o debate técnico e aniquilar a capacidade de fiscalização da minoria progressista em benefício próprio.

As cadeiras dos sonhos e o silêncio dos beneficiários

O fluxo de poder e influência que move a engrenagem governista aponta para a iminente dança das cadeiras no conselho do TCE-RJ. Três conselheiros da velha guarda — José Gomes Graciosa, Marco Antônio Barbosa de Alencar e Domingos Inácio Brazão — estão na esteira de saída devido a pressões judiciais e aposentadorias compulsórias.

Nos bastidores do Palácio Tiradentes, o nome do próprio líder do governo e presidente da CCJ, Rodrigo Amorim (PL), é dado como favorito absoluto para uma das vagas.

Amorim, que comandou a rejeição sumária de mais de 100 emendas que tentavam moralizar o texto na primeira discussão, assistiu aos discursos de acusação em silêncio obsequioso no plenário, amparado pela certeza da maioria numérica.

Outro polo da articulação da direita envolve Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Casa, que trabalha para cacifar o irmão, Marcelo Delaroli (prefeito de Itaboraí), na mesma fila de indicações políticas, enquanto isola dissidentes como Rodrigo Bacellar e Rodrigo Abel.

O pacote de celeridade da base aliada

As alterações impostas pela direita transformam a Alerj em uma linha de montagem acelerada:

  • Superurgência: Matérias carimbadas pelo Executivo podem ser liquidadas em apenas 24 horas.

  • Edital Relâmpago: Prazo máximo de 3 dias para a Mesa Diretora abrir o processo após a vacância de vagas no tribunal.

  • Superpoderes à Presidência: Autorização monocrática para anexar projetos semelhantes e acelerar votações estratégicas de interesse do bloco conservador.

A reconfiguração das regras do jogo na Alerj

O horizonte da Assembleia é de conflagração. Determinada a garantir o refúgio dourado de seus principais quadros antes que novas tempestades políticas e judiciais alterem a correlação de forças no Rio de Janeiro, a direita sinaliza que vai ignorar as manobras de atraso e liquidar a fatura regimental nas próximas sessões.

Fonte: Diariocarioca.

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