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Tráfico recebeu vazamento da Operação Barricada Zero


Uma grave brecha na inteligência da segurança pública do Rio de Janeiro veio à tona com a revelação de que traficantes da Cidade de Deus, na Zona Oeste da capital, receberam o cronograma detalhado da Operação Barricada Zero antes mesmo de o Palácio Guanabara anunciar o programa. Mensagens de texto e arquivos de áudio interceptados revelam que um suposto agente lotado no 18º BPM (Jacarepaguá) atuou como informante, antecipando em cinco dias as diretrizes estratégicas da força-tarefa estadual voltada à remoção de obstáculos físicos em vias públicas.

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Os dados vazados permitiram que lideranças do crime organizado local organizassem uma retirada preventiva de armamentos pesados, entorpecentes e faturamento financeiro das bocas de fumo, neutralizando o fator surpresa da incursão. O esquema de contrainformação operava dentro de um grupo de mensagens instantâneas intitulado “PAZ CDD”, onde as movimentações de blindados e maquinário pesado eram monitoradas em tempo real pelas franjas operacionais do tráfico.

A engrenagem do vazamento e as patentes citadas

O suposto policial militar responsável pela ponte com a facção criminosa utilizava o codinome “Bigode Mexicano”. Nas gravações de voz analisadas pelos investigadores, o agente fazia referência direta a ordens recebidas de instâncias superiores do próprio batalhão, utilizando alcunhas como “Jacaré 18” e “Maioral 18 Novo” para designar a origem das coordenadas sobre o deslocamento das frentes de engenharia e das tropas de choque.

As transmissões clandestinas começaram a circular em meados de novembro, antecedendo o lançamento oficial do programa governamental. O informante chegou a orientar explicitamente os traficantes a não recolocarem os blocos de concreto imediatamente após a varredura, uma estratégia desenhada para evitar o retorno imediato dos batalhões especializados e manter o fluxo logístico da comunidade sob aparente normalidade perante as autoridades.

A cronologia da contrainformação

  • 12 de novembro: Mensagens revelam expansão da retirada de barricadas da Gardênia Azul para a Cidade de Deus.

  • 17 de novembro: Lançamento oficial do Barricada Zero pelo governo do estado; informante detalha chegada de maquinário ao batalhão.

  • 23 de novembro (Véspera): Criminosos realizam a limpa na comunidade, escondendo fuzis, pistolas e estoques de drogas.

  • 24 de novembro (Operação): Incursão é deflagrada pelas forças de segurança com apreensões residuais e forte monitoramento do tráfico.

Fluxo de informações identificadas pela investigação

A triangulação dos dados vazados expõe a facilidade com que o planejamento estratégico da cúpula da segurança fluminense era desmantelado na ponta da linha:

Em posicionamento oficial, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro comunicou que a Corregedoria Geral já instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para identificar formalmente e expurgar os envolvidos. O episódio joga luz sobre as declarações recentes do GSI-RJ quanto à estabilidade das operações, evidenciando que o principal desafio do comitê interino do governador Ricardo Couto não reside na burocracia das nomenclaturas, mas sim na infiltração de agentes estatais na folha de pagamento do crime organizado.

Fonte: Diariocarioca.

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