Músico brasileiro se torna o 1º nascido no país na Calçada da Fama: ‘Não é só minha, é nossa’
O percussionista brasileiro Paulinho da Costa recebeu nesta quarta-feira (13) uma estrela na Hollywood Walk of Fame (Calçada da Fama), em Los Angeles, e se tornou a primeira pessoa nascida no Brasil a integrar a tradicional calçada dedicada a nomes da indústria do entretenimento. A cerimônia ocorreu na Vine Street, próxima ao prédio da Capitol Records, e foi transmitida ao vivo pelo site oficial da organização.
Durante o discurso, Paulinho afirmou que a homenagem representa também profissionais que trabalharam ao seu lado ao longo da carreira. “Eu trabalho há 50 anos na indústria musical, em Hollywood.
Essa cidade é histórica e muito importante para mim. Obrigado por oferecerem isso à minha família”, disse.
“Eu ouvi e participei de tantas músicas incríveis. Recebi tudo isso de coração aberto.
Recebo isso pelos músicos, produtores, engenheiros de som. Estão todos aqui comigo.”
Aos 77 anos, o músico carioca consolidou uma trajetória que atravessa mais de cinco décadas de participação em discos, trilhas sonoras e turnês de alguns dos artistas mais conhecidos da música internacional. Desde os anos 1970, Paulinho colaborou com nomes como Michael Jackson, Madonna, Elton John, Stevie Wonder, Miles Davis e a banda Earth, Wind & Fire.
Ele também integrou gravações de trilhas de filmes que marcaram diferentes gerações, entre elas Saturday Night Fever, Dirty Dancing, Purple Rain e Jurassic Park.
Criada em 1960, a Calçada da Fama de Hollywood reúne mais de 2,8 mil estrelas distribuídas em categorias ligadas ao cinema, música, televisão, rádio, teatro e esportes. Antes de Paulinho, a única representante associada ao Brasil homenageada no local era Carmen Miranda, que nasceu em Portugal e veio ainda bebê para o país.
Brasileiro raíz
Nascido em Irajá, na Zona Norte do Rio, Paulinho construiu sua formação musical em rodas de samba, festas populares e nos desfiles da Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, onde atuou como ritmista da ala jovem. O percussionista também frequentou terreiros de candomblé e absorveu referências que mais tarde levaria para estúdios internacionais.
Ao lembrar das origens brasileiras durante a cerimônia, o músico afirmou que a influência do país segue presente em sua criação artística. “Os ritmos do Brasil correm nas minhas veias.
Tudo ao meu redor se torna música: mesas, colheres, óculos, garrafas, tudo. O que impulsiona minha criatividade e meu improviso”, declarou.
Em seguida, falou em português ao público e mandou uma mensagem ao país. “Alô, Brasil!
Agradeço do fundo do meu coração todo o carinho que tenho recebido de todos vocês. Foi além do que eu podia esperar.
Esta estrela não é só minha, é nossa. Viva o Brasil!”
Após iniciar a carreira profissional no Brasil, incluindo apresentações ao lado de Alcione, o músico passou a trabalhar com Sérgio Mendes e se mudou para os Estados Unidos, país onde se estabeleceu.
Entre suas contribuições mais conhecidas está a introdução de sons de cuíca na faixa Wanna Be Startin’ Somethin’, do álbum Thriller, lançado em 1982. Paulinho também participou de gravações de sucessos como Billie Jean, em que utilizou instrumentos de percussão associados à música brasileira, como agogô e cabaça metálica.
Outras participações do percussionista ficaram conhecidas pelo uso de objetos pouco convencionais, como colheres em Brazilian Rhyme e campanas em Serpentine Fire. Ele também colaborou na gravação de September.
Em tom descontraído, Paulinho também brincou sobre a relação antiga com a região onde agora ganhou a estrela. “Vocês não podem acreditar quantas vezes eu atravessei aquela rua.
Me multaram e tentei dizer que estava trabalhando, mas me penalizaram do mesmo jeito”, afirmou, arrancando risos do público.
O percussionista ainda agradeceu à família durante a cerimônia e pediu aplausos para a esposa. “Muito obrigado por todos estarem aqui.
Este é um momento maravilhoso, uma honra muito grande”, disse em inglês. “Obrigado à minha esposa, meu amor por você é infinito.
Tenho 60 anos de casado, isso é uma bênção.” Ele também agradeceu aos filhos e amigos presentes.
A trajetória do músico foi revisitada no documentário The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, lançado este ano pela Netflix. O filme reúne depoimentos de artistas como George Benson e Quincy Jones, além de registrar o retorno do percussionista ao Rio e o reencontro com integrantes da Portela.
Fonte: Enfoco.
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