O passado volta a assombrar o clã Bolsonaro com a precisão de um relatório financeiro. Documentos do Coaf vinculados à Operação Legado revelam que Fabrício Queiroz, o onipresente ex-assessor de Flávio Bolsonaro, recebeu depósitos de uma empresa de estética usada para lavar dinheiro da milícia.
O pagamento ocorreu em julho de 2017, época em que Queiroz exercia a chefia de gabinete do então deputado estadual na Alerj.
A fonte do recurso é a S. C.
da Silva Estética Pessoal, um quiosque de sobrancelhas que, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, servia de duto para os lucros ilícitos de Adriano da Nóbrega, o ex-capitão do Bope e chefe do Escritório do Crime, morto em 2020. A empresa movimentou R$ 2 milhões em apenas 20 meses, volume considerado incompatível com a estrutura de um quiosque de shopping.
A estética da lavagem de dinheiro
As investigações do MP-RJ apontam que a empresa pertence a Shirlei Costa da Silva, irmã de um dos principais operadores financeiros de Adriano. Além do repasse a Queiroz, a “clínica” transferiu R$ 38,4 mil para uma pizzaria pertencente a Raimunda Veras Magalhães, mãe do miliciano e também ex-assessora de Flávio Bolsonaro.
O esquema desenhado pelos promotores sugere uma simbiose entre o gabinete parlamentar e a estrutura da milícia de Rio das Pedras. Enquanto Queiroz gerenciava o pessoal na Alerj, a estrutura de Adriano da Nóbrega irrigava contas de assessores e familiares com dinheiro de origem duvidosa, muitas vezes sacado em espécie para apagar rastros.
O fantasma das rachadinhas
Embora o caso das “rachadinhas” tenha sido arquivado por anulações técnicas, os dados da Operação Legado reabrem a ferida ética. O Coaf destaca que a maior parte das saídas da empresa de estética ocorria via saques em dinheiro vivo, o mesmo modus operandi atribuído ao esquema de desvio de salários no antigo gabinete do “Zero Um”.
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Queiroz na mira: O nome do ex-assessor aparece no documento de inteligência que originou o inquérito.
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Elo familiar: A mãe de Adriano da Nóbrega, assessora de Flávio, recebeu valores da mesma fonte.
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Volume suspeito: R$ 2 milhões em créditos com retiradas imediatas em espécie.
Conexões Financeiras: Gabinete vs. Milícia
Defesa e distanciamento
Em resposta à Folha de S. Paulo, Fabrício Queiroz adotou um tom defensivo e irritado, afirmando não ser investigado e pedindo “paz para cuidar da família”.
Já a assessoria de Flávio Bolsonaro enviou nota padrão, negando qualquer relação com os fatos ou conhecimento de atividades ilícitas de seus ex-colaboradores.
Ocorre que a reiteração de nomes — Queiroz, Nóbrega, Magalhães — em relatórios de inteligência financeira torna o discurso de “desconhecimento” cada vez mais frágil perante a opinião pública. No xadrez político de 2026, onde o senador já enfrenta a crise do Banco Master, a ressaca da Operação Legado prova que o Rio de Janeiro continua sendo o epicentro dos problemas da família Bolsonaro.
Fonte: Diariocarioca.
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