Rio de Janeiro

Deputada do Rio enfrenta as redes de exploração infantil na internet


Após escândalos recentes de exploração infantojuvenil, proposta cria programa estadual no Rio de Janeiro para fiscalizar mídias, escolas e plataformas digitais, além de garantir campanhas educativas permanentes


Em meio a um cenário de crescente indignação contra a exploração e a adultização precoce de crianças e adolescentes, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro recebeu o Projeto de Lei nº 6009/2025, de autoria da deputada Lilian Behring (PCdoB). A proposta institui o Programa Estadual de Prevenção e Combate à Adultização de Crianças e Adolescentes (PEPCAIA/RJ), e pretende atacar de forma direta as práticas que antecipam indevidamente comportamentos, responsabilidades, linguagens e estéticas próprias da vida adulta.

O tema ganhou ainda mais urgência após o caso Felca/Ítalo, que expôs a rede de exploração digital de jovens e levou à prisão de influenciadores acusados de abuso e indução de menores à sexualização precoce. A repercussão nacional trouxe à tona a falta de políticas públicas específicas para enfrentar a adultização, sobretudo em ambientes digitais.

Deputada afirma que o Estado precisa reagir contra a lógica comercial que rouba da infância o direito de existir / Foto: Atilon Lima

“O Estado não pode se omitir diante de uma geração que está sendo empurrada para a vida adulta antes da hora, em grande parte por interesses comerciais e pela lógica predatória das redes sociais. O PEPCAIA/RJ nasce para dizer claramente: infância não é mercadoria e não será moeda de troca para likes ou lucros”, afirmou a deputada Lilian Behring.

Entre as medidas previstas no projeto estão:
• Campanhas permanentes de conscientização em escolas, mídias e redes sociais;
• Capacitação de professores, conselheiros tutelares e profissionais de saúde para identificar sinais de adultização;
• Fiscalização rigorosa de publicidade, eventos e conteúdos digitais dirigidos a crianças;
• Criação de canais de denúncia sigilosos, integrados ao Disque 100 e ao Ministério Público;
• Parcerias com plataformas digitais para moderar conteúdos e rever algoritmos que estimulem padrões adultos em menores;
• Selo “Ambiente Amigo da Infância” para instituições que adotarem boas práticas.

A deputada destaca que não se trata de criminalizar famílias ou educadores, mas de proteger direitos constitucionais.

“Muitos pais não percebem que a sobrecarga de responsabilidades, a exposição a conteúdos inapropriados ou até mesmo a imposição de padrões de consumo e estética adulta estão corroendo a saúde emocional das nossas crianças. O resultado são índices alarmantes de ansiedade, depressão e evasão escolar. Não podemos naturalizar isso.”

Segundo estudos recentes da Sociedade Brasileira de Pediatria, a exposição precoce a conteúdos adultos aumenta em até 70% os riscos de transtornos de ansiedade e depressão na adolescência. A proposta prevê indicadores de saúde mental para mensurar o impacto das medidas.

Para Behring, o momento exige ação firme.

“Depois das denúncias que vieram à tona, ficou ainda mais evidente que precisamos de instrumentos concretos para proteger meninos e meninas de interesses que colocam o lucro acima da vida. Este projeto é um recado claro: o Estado do Rio de Janeiro vai defender a infância com todas as suas forças.”

Se aprovado, o PEPCAIA/RJ será implementado em quatro fases até 2030, incluindo formação de 80% dos professores da rede estadual até 2027 e a criação de um canal estadual de denúncias já em 2026.

“Estamos falando de garantir que crianças tenham o direito de ser crianças. Esse é o dever constitucional de todos nós, e é também um pacto ético com o futuro do nosso país”, concluiu a deputada.

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