Atraso de salários gera revolta em hospitais estaduais: ‘Temos contas pra pagar’
Profissionais de saúde que atuam em hospitais da rede estadual do Rio de Janeiro relatam uma sequência de atrasos salariais, falta de pagamento de benefícios e ausência de respostas por parte das organizações sociais (OSs) responsáveis pela gestão das unidades. As denúncias envolvem hospitais na capital, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana.
Entre as unidades citadas estão o Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, o Hospital Estadual João Batista Cáffaro, em Itaboraí, o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, além do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, no Rio. Trabalhadores afirmam que têm visto o salário na conta muito depois do 5º dia útil.
No Azevedo Lima, por exemplo, funcionários relatam que o pagamento prometido para esta segunda-feira (11) não foi efetuado, mesmo após o 7º dia útil do mês. Eles também afirmam falta de retorno da organização social responsável, a TUISE.
“Na sexta-feira (8) informaram que o pagamento seria ontem, 11 de maio, porém não foi realizado. A empresa TUISE não passa nenhuma informação e nenhuma previsão.
Toda a equipe técnica está sem pagamento”, disse uma técnica de Enfermagem, que pediu anonimato.
Situação semelhante é relatada no Hospital João Batista Cáffaro, onde profissionais apontam atrasos frequentes e ausência de posicionamento da OS IDEAS.
“Todo mês o salário em atraso, precisamos receber aquilo que é direito nosso. Temos contas para pagar, filhos para criar… como ficamos?”
, disse uma profissional do Cáffaro.
No Hospital Alberto Torres, em São Gonçalo, trabalhadores também relatam que até esta terça-feira (12) o dinheiro ainda não caiu na conta.
No último domingo (10), Dia das Mães, funcionários relataram inclusive faltas em algumas unidades estaduais por conta da falta de pagamento e do auxílio transporte.
“Eles querem que a gente venha trabalhar, mas nem Riocard foi pago ainda. Com qual dinheiro que eu vou vir trabalhar?
Sempre atrasa, todo mês é isso”, afirmou um trabalhador.
A situação também atinge o Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, no Centro do Rio, administrado pela OS IDEAS. A técnica em Enfermagem Mariana Lemos, de 26 anos, desabafou sobre atrasos de salários, férias e FGTS.
“Temos uma sequência de atrasos de salários, atraso do pagamento de férias (somos obrigados a assinar um documento dizendo que recebemos a verba, e o valor só vai cair 15/20 dias depois), FGTS em atraso desde novembro”, escreveu.
Ela também criticou a falta de retorno da gestão. “Quando vamos perguntar, a resposta é simples e direta: ‘sem previsão’, ‘sem informações’”, afirmou.
A trabalhadora ainda destacou o impacto da situação na vida dos trabalhadores. “Nossa saúde mental, física, psicológica e financeira está sendo deteriorada, e ninguém faz nada.
O banco não aceita ‘sem previsão’ como forma de pagamento”, disse.
Procurada, a Secretaria Estadual de Saúde ainda não deu posicionamento sobre a situação.
Fonte: Enfoco.
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