Rio de Janeiro

Alerj cria Centro de Referência em Dor Crônica no RJ


Estudo mostra que mais de 3,7 milhões de idosos no estado convivem com dor crônica, afetando qualidade de vida e saúde mental


A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, nesta quinta-feira, 29, a Indicação Legislativa nº 461/2025, de autoria da deputada Lilian Behring (PCdoB), que propõe a criação do Centro de Referência de Tratamento da Dor Crônica. A medida visa oferecer atendimento especializado e humanizado a pacientes que sofrem com dores persistentes, uma condição muitas vezes negligenciada, mas que afeta uma parcela significativa da população fluminense.

Estudos recentes indicam que a dor crônica é uma das principais causas de incapacidade no Brasil. Segundo dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (ELSI-Brasil), 36,9% dos brasileiros com mais de 50 anos convivem com essa condição, sendo que 30% deles utilizam opioides para alívio da dor. Além disso, a dor crônica é mais prevalente entre mulheres, pessoas de baixa renda e indivíduos com histórico de doenças como artrite e problemas na coluna.

No estado do Rio de Janeiro, esses números refletem uma realidade preocupante. Estima-se que cerca de 3,7 milhões de pessoas com mais de 50 anos enfrentem dores crônicas, impactando diretamente sua qualidade de vida e produtividade.

A importância do Centro de Referência

A deputada Lilian Behring, autora da proposta, defendeu a urgência da medida com firmeza.

“A dor crônica é uma realidade que muitos fluminenses enfrentam diariamente. Este Centro será um espaço dedicado ao cuidado integral, oferecendo tratamentos que vão além da medicação, com foco na reabilitação e bem-estar dos pacientes”, afirmou.

Formada em enfermagem, Behring ressaltou que a dor crônica não deve ser tratada como um sintoma isolado, mas como uma condição de saúde que exige resposta pública.

“Como profissional da saúde, eu vi de perto o sofrimento silencioso de quem vive com dor todos os dias. Não é exagero dizer que a dor crônica rouba vidas. Ela impede o trabalho, isola pessoas da família e contribui para depressão e até suicídio. Ignorar isso é desumano. Nós precisamos agir, e é isso que estamos fazendo com esse Centro”, declarou.

O Centro de Referência contará com uma equipe multidisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais, visando proporcionar um atendimento completo e personalizado. Além disso, serão oferecidas terapias integrativas, como acupuntura, musicoterapia e técnicas de relaxamento, para complementar o tratamento convencional.

Caminho para um novo modelo de cuidado

A criação do Centro de Referência de Tratamento da Dor Crônica representa um avanço significativo na saúde pública do Rio de Janeiro. Com a proposta agora aprovada pela Alerj, o próximo passo será o encaminhamento da indicação ao governador do estado, que poderá transformar a sugestão legislativa em ação concreta.

“A aprovação na Alerj mostra que a dor crônica está, finalmente, sendo levada a sério como uma questão de saúde pública. Agora esperamos sensibilidade e agilidade do governo estadual para tirar essa proposta do papel e começar a cuidar de quem já espera há anos por um tratamento digno”, finalizou Lilian Behring.

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