Comércio e ruas do centro de Mesquita, o município mais novo da Baixada Fluminense — Foto: Junius, Wikimedia Commons, domínio público
A Lei estadual 3.253, que criou Mesquita, foi sancionada em 25 de setembro de 1999 pelo então governador Anthony Garotinho. Vinte e sete anos depois, o TSE anulou os 274.411 votos de Garotinho ao governo do Rio, e a cidade nascida daquela assinatura seguiu a onda que elegeu Douglas Ruas (PL) no 1º turno.
Mesquita é o município mais novo da Baixada Fluminense, desmembrado de Nova Iguaçu e instalado em 1º de janeiro de 2001. O Censo de 2022 conta 167.127 moradores em 41,490 km², três distritos e três estações do Ramal Japeri da SuperVia.
Duas zonas eleitorais, a 83 e a 150, serviram 136.269 eleitores aptos no domingo da eleição. Compareceram 106.260, e a abstenção de 22,02% ficou abaixo da média estadual de 23,33%.
Para governador, Ruas fez 53.341 votos na cidade, 58,26% dos válidos, contra 34.666 de Eduardo Paes (PSD), 37,86%. A diferença entre os dois foi de 18.675 votos.
O dono do voto federal em Mesquita governou a cidade por oito anos. Jorge Miranda (PL), prefeito de 2017 a 2024 e reeleito em 2020 com 78,63% dos votos válidos, fez na cidade 32.844 votos para a Câmara, 35,51% dos nominais.
É quase quatro vezes o segundo colocado, Dr. Luizinho (PP), com 8.598 votos. A concentração é a oitava maior entre os 92 municípios do estado para a Câmara Federal.
Na Assembleia Legislativa, o dono do voto é irmão dele. Renato Miranda (PL) fez 27.537 votos em Mesquita, 30,86% dos nominais, quase o triplo de Diogo Talento (PRD), com 9.899.
Mesquita sustenta os dois irmãos. Dos 67.298 votos de Jorge no estado, 48,8% saíram da cidade, e dos 56.329 de Renato, 48,9%.
A prefeitura completa o quadro. Marotto Miranda (PL) tomou posse em 1º de janeiro de 2025 com 75,49% dos votos, e a cobertura local da sucessão tratou a troca como continuação da Família Miranda.
No Senado, os dois eleitos do PL também passaram na frente. Carlos Portinho somou 51.399 votos e Carlos Jordy, 47.915, contra 31.023 de Benedita da Silva (PT).
Vinte e sete anos separam a assinatura que criou a cidade da urna que a manteve nas mãos dos Miranda.
Números do arquivo oficial do TSE de 08/10/2026, votação nominal por município e zona e detalhe por zona, com mandatos e sucessão conferidos na Wikipedia.
Leia também no Rio Carta:
- Entre a ponte e Campos, a BR-101 entrega onze cidades a Ruas e duas a Paes
- A conta que tirou Benedita do Senado e deu ao PL as duas cadeiras do Rio
- São João de Meriti, o formigueiro das Américas, vota em peso e no mesmo sobrenome
- Índia Armelau leva 248 mil votos à Alerj, e o PL monta bancada de 21 entre os 70 eleitos
Carregando comentários...