Douglas Ruas (PL), governador eleito do Rio de Janeiro no 1º turno

Douglas Ruas (PL), governador eleito do Rio de Janeiro no 1º turno — Foto: Foto: Alerj

Eleições 2026

TSE anula votos de Garotinho e Douglas Ruas é eleito governador do Rio no 1º turno


O Tribunal Superior Eleitoral decidiu nesta quinta-feira (8), por 5 votos a 2, anular os 274.411 votos recebidos por Garotinho na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Com a anulação, Douglas Ruas (PL) chega a 50,88% dos votos válidos no recálculo e será proclamado governador eleito já no 1º turno.

A decisão cancela o 2º turno no estado, que aconteceria em 25 de outubro, junto com o duelo presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula. Cabe agora ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) fazer a retotalização e oficializar a eleição.

Garotinho disputou toda a campanha com a candidatura sob análise e os votos sob júdice. O tribunal não acolheu o pedido de desistência do recurso feito pela defesa, que tentava preservar a validade dos votos — e, com ela, o 2º turno.

A matemática que decidiu a eleição

No placar oficial do 1º turno, de 4 de outubro, Ruas recebeu 4.271.199 votos (49,27% dos válidos), contra 3.706.984 de Eduardo Paes (42,76%), prefeito da capital em final de mandato. Garotinho tinha 274.411 votos (3,17%) e William Brum (PSOL), 235.347 (2,71%).

Retirados da conta os votos anulados de Garotinho, o universo de votos válidos encolhe e a fração de Ruas salta para 50,88% — acima da maioria absoluta. A diferença entre Ruas e Paes, de pouco mais de 564 mil votos, não se altera.

Votaram pela anulação os ministros Floriano de Azevedo Marques Neto, relator do caso, Estela Aranha, André Mendonça, Dias Toffoli e o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques. Ricardo Cueva e Sebastião Reis ficaram vencidos, ao defender que os votos seguissem válidos e a eleição fosse para o 2º turno.

Onde Ruas construiu a vitória

Ruas venceu em 79 das 92 cidades fluminenses, com dominância no interior e na região metropolitana. Paes levou 13 municípios, entre eles a capital — e foi justamente aí que a eleição desenhou seu mapa.

Na cidade do Rio, Paes fez 1.730.683 votos (52,52%), contra 1.319.722 de Ruas (40,05%). Ruas foi eleito governador sem vencer na capital: os votos decisivos vieram das cidades vizinhas e do interior.

O reduto de Ruas tem endereço: São Gonçalo, cidade onde nasceu e da qual o pai, Capitão Nelson, é prefeito. Lá ele fez 264.410 votos, 59,99% contra 33,96% de Paes.

Na Baixada Fluminense, o placar repetiu o desenho. Em Nova Iguaçu, Ruas teve 230.011 votos (56,70%); em Duque de Caxias, a disputa foi mais equilibrada, com 49,33% contra 42,52% de Paes; em São João de Meriti, Ruas passou de 54%.

Na capital, Ruas venceu em apenas 9 das 49 zonas eleitorais — o resto do eleitorado carioca ficou com Paes.

Quem é Douglas Ruas

Douglas Ruas dos Santos tem 37 anos, nasceu em São Gonçalo e é policial civil concursado e advogado, com pós-graduação em gestão pública. Está no PL desde 2021, depois de passagens pelo PTdoB e pelo Avante.

Deputado estadual no primeiro mandato, preside a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Proclamada a eleição, se torna o governador mais jovem do Rio desde 1959.

Sua candidatura carregou desde o início a bandeira da associação com Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência — a mesma percepção que, na avaliação do instituto Quaest, explicou a corrida de votos dele nas 48 horas finais da campanha.

O Rio na disputa presidencial

Na eleição para presidente, o Rio foi o estado da onda conservadora. Flávio Bolsonaro fez 4.966.844 votos no estado (53,01% dos válidos), contra 3.693.021 de Lula (39,41%).

Flávio venceu em 83 dos 92 municípios fluminenses. Lula foi o mais votado em apenas 9 cidades, entre elas Niterói, onde fez 48,35% contra 43,71%.

Na capital, o placar presidencial foi mais apertado: Flávio 1.662.354 votos (47,88%) contra 1.524.517 de Lula (43,91%).

No país, Flávio fechou o 1º turno com 56,1 milhões de votos (47,03%) contra 53,9 milhões de Lula (45,16%) — uma vantagem de 2,2 milhões que os dois agora disputam no 2º turno de 25 de outubro.

Lula no Rio: 2026 contra 2022

A comparação com o 1º turno de 2022 mede o tamanho da onda. Naquela eleição, Jair Bolsonaro fez 51,09% no estado (cerca de 4,75 milhões de votos) e Lula, 40,68% (cerca de 3,78 milhões).

Em 2026, Lula caiu tanto em votos absolutos quanto em percentual no Rio: 3,69 milhões e 39,41%. A candidatura da direita, por sua vez, subiu de 51,09% para 53,01%.

O Rio elegeu ainda as duas vagas de senador pelo PL: Carlos Portinho, com 4.264.932 votos (26,77%), e Carlos Mattos Júnior, com 3.912.405 (24,56%). Benedita da Silva (PT) ficou de fora, em terceiro, com 3.220.765 votos (20,22%).

Os números da votação vêm da totalização oficial do 1º turno pelo TSE; os dados por município, da apuração do G1, O Globo e O Dia. Esta reportagem atualiza a cobertura do 1º turno do Rio Carta: com a decisão desta quinta, o 2º turno pelo governo do Rio não acontece mais.

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