Urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras — Foto: Joe Hall from Takoma Park, MD, USA, Wikimedia Commons, CC BY 2.0
A série «Como votou o Rio» abre pela cidade que decidiu o jogo: São Gonçalo, segunda maior cidade do estado, com 652.951 eleitores aptos. Foi ali que Douglas Ruas (PL), filho da cidade, construiu a votação mais desequilibrada da eleição para o governo do Rio entre os grandes colégios eleitorais.
Nos números oficiais já retotalizados após a anulação dos votos de Garotinho pelo TSE, Ruas fez 264.410 votos válidos em São Gonçalo — 61,45% —, contra 149.679 de Eduardo Paes (PSD), 34,79%. Antes da decisão desta quinta-feira (8), que anulou os 274.411 votos de Garotinho por 5 votos a 2, a imprensa computava 59,99% para Ruas na cidade; com os votos do candidato indeferido fora da conta, a fração do vencedor subiu.
A aritmética de uma eleição decidida fora da capital
Ruas foi eleito governador no 1º turno sem vencer na cidade do Rio, onde Paes, prefeito em final de mandato, fez 52,52% contra 40,05%. No estado, a anulação levou Ruas a 50,88% dos válidos e cancelou o 2º turno que estava marcado para 25 de outubro.
São Gonçalo entregou a maior vantagem nominal do estado: 114.731 votos de folga sobre Paes. Foi o colchão que, somado à Baixada Fluminense e ao interior, compensou o déficit de 410.961 votos na capital.
A cidade é a base da família: o pai do governador eleito, Capitão Nelson, é o prefeito de São Gonçalo pelo mesmo PL. Na campanha, a associação de Ruas à candidatura de Flávio Bolsonaro na Presidência — que o instituto Quaest apontou como motor da corrida de votos nas 48 horas finais — encontrou na cidade seu terreno mais fértil.
Deputados: PL na frente, PT em segundo
Para a Câmara Federal, o voto nominal mais alto da cidade foi de Altineu Côrtes (PL), com 75.044 votos. Na sequência vieram Dimas Gadelha (PT), com 23.324, Poubel (PL), com 12.134, e Carol Nunes (União), com 11.790.
Na Assembleia Legislativa, Nelsinho Ruas (PL) liderou com 57.733 votos, seguido de Bruno Porto (PL, 22.801), Prof. Josemar (PSOL, 21.449) e Ricardo Pericar (PL, 18.615). O arquivo oficial ainda não marca os eleitos por cadeira; os números acima são os votos nominais válidos na cidade.
Comparecimento
São Gonçalo teve abstenção de 23,47%: compareceram 499.722 dos 652.951 eleitores aptos. A cidade desanimou menos que a capital, cuja abstenção foi de 26,16%, e ficou praticamente na média do estado, de 23,33%.
Os números desta reportagem vêm da votação nominal por município e zona do TSE, arquivo oficial de 08/10/2026, já retotalizado após a anulação dos votos de Garotinho, e do detalhe da apuração por zona. Percentuais antigos citados (59,99%) referem-se à apuração original de 4 e 5 de outubro.
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